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Aquecimento global ameaça resiliência das árvores tropicais

14/08/2025

Um estudo conduzido por uma equipe internacional envolvendo 126 instituições — entre elas, a Embrapa Florestas — e recentemente publicado na revista Science (“Anéis de árvores pantropicais mostram pequenos efeitos da seca no crescimento do caule”) revelou que, embora as árvores tropicais tenham suportado secas severas ao longo do último século, o aumento das temperaturas globais já começa a comprometer sua recuperação, o que pode elevar, no futuro, a mortalidade dessas plantas.
A pesquisa utilizou dados dendrocronológicos (cronologias de anéis de crescimento) de mais de 10 mil árvores, reunindo cerca de 20 mil séries de anéis de crescimento provenientes de quase 500 locais em 36 países. Foram analisadas 163 espécies de 33 famílias botânicas, com proporções semelhantes de cronologias de angiospermas e gimnospermas, abrangendo regiões tropicais e subtropicais (entre as latitudes 30°N e 30°S), como Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga e florestas da América Latina, Ásia e África.
Desde 1930, segundo o estudo, secas extremas reduziram, em média, 2,5% o crescimento dos troncos, mas as árvores conseguiram se recuperar durante as estações chuvosas. Entretanto, a intensificação e maior frequência das secas, impulsionadas pelas mudanças climáticas, geram preocupação nos pesquisadores, pois podem ultrapassar a capacidade de recuperação das árvores, provocando quedas mais expressivas no crescimento e aumento na mortalidade.
“Compondo a maior rede pantropical de dendrocronologia já utilizada até o momento, a Embrapa Florestas participou do projeto com dados e análises dendrocronológicas desenvolvidas de espécies-chave da Mata Atlântica, ajudando a entender como diferentes biomas respondem às secas”, afirmou Paulo Cesar Botosso, pesquisador da Embrapa Florestas e coautor do estudo. Ele destacou que as análises indicaram que, mesmo em florestas úmidas, as árvores já sentem os efeitos do aquecimento, embora ainda consigam se recuperar.
Os autores apontam que secas mais recentes já provocaram quedas mais fortes no crescimento do caule do que as registradas no passado, dificultando a recuperação das árvores.
Apesar da atual resiliência, os cientistas alertam que o aquecimento global pode comprometer a capacidade das florestas tropicais de estocar carbono, agravando o cenário das mudanças climáticas.

Fonte: CicloVivo

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