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Do café à academia: saiba como reforma de pneus de caminhões e ônibus evita descarte irregular de 300 toneladas no meio ambiente

21/08/2025

À primeira vista, pode parecer difícil entender um ponto que une os universos do transporte terrestre de cargas, da produção de café à academia. Mas no Espírito Santo, eles se encontram em uma cadeia sustentável que transforma resíduos em novas oportunidades e ajudam a amenizar os impactos causados ao meio ambiente.
Pneus de caminhões que transportam a safra de café (e centenas de outros produtos) pelas estradas do país ganham sobrevida graças à recapagem, uma espécie de reforma das peças. Com isso, elas podem voltar para as estradas por mais um tempo. E, quando o seu reúso já não é mais permitido, os pneus são transformados em tapumes, chinelos, pisos, asfaltos e até anilhas usadas em academias.
Todos os meses, mais de 3 mil pneus de caminhões e ônibus, que antes teriam o descarte como destino, passam por um processo que devolve a eles uma "nova vida". A primeira usina recapadora 100% sustentável da América do Sul fica no Espírito Santo e se tornou referência em economia circular e em práticas de preservação ambiental.
Segundo a empresa, com o reaproveitamento, cerca de 300 toneladas de borracha, aço e outros materiais deixam de ser abandonados irregularmente na natureza. Isso significa menos poluição, menos risco de enchentes, incêndios e proliferação de doenças, além de mais economia para os transportadores que rodam pelas estradas do país fazendo a economia girar.
Além de preservar rios, florestas e solos contra a contaminação, a recapagem gera uma economia de até 70% nos preços. Um pneu novo de caminhão custa, em média, R$ 3 mil. Já um pneu reformado sai por apenas R$ 700.
A resolução nº 558/1980, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), permite que caminhões e ônibus podem utilizar pneus reformados desde que atendam a requisitos técnicos estabelecidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
Aqueles que não podem ser recuperados são triturados e seguem outra viagem até se tornarem produtos como pisos de tatame, gramados sintéticos e anilhas que movimentam academias e treinos de crossfit.
Além disso, até os paletes de madeira onde os pneus são acomodados são reaproveitados e viram instrumentos musicais, como ukulelês.
“Nossos clientes não sabiam o que fazer com os pneus inservíveis. Temos esse projeto 100% sustentável justamente para ser um ponto de conexão para essas transportadoras, que são nossos clientes, para a gente coletar pneus e dar um descarte responsável”, explicou o porta-voz da empresa, Luciano Rezende.
Luciano explicou que os pneus que não podem mais ser reaproveitados, além dos restos daqueles que já foram recapados anteriormente, são levados para uma usina. No local, é separada a borracha do aço que compõe o pneu.
"O aço é reaproveitado para outras coisas. A borracha damos destinação variada também. O importante é que ele não vai parar no meio ambiente. Participar desse ciclo sustentável é muito bacana. Estamos contribuindo para o planeta e também ajudando os nossos clientes e a empresa", disse.
O engenheiro de produção Lucas Barcelos trabalha Vitória Diesel, onde o processo acontece, e explicou como funciona a recapagem. Nela, uma nova banda de rodagem é aplicada sobre o pneu que já estava desgastado.
“Para garantir a qualidade e a durabilidade do serviço, seguimos dez etapas: inspeção inicial, raspagem, escareação, dissolução, reparação e gomagem, preparação de bandas, roletagem, envelopagem, vulcanização e, por fim, a inspeção final. Esse cuidado em cada fase assegura que o pneu reformado tenha desempenho e segurança comparáveis a um novo”, explicou.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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