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Olivina pode virar fonte de metais para baterias

02/09/2025

Uma startup da Nova Zelândia desenvolveu um método inovador para obter minerais cruciais na produção de baterias a partir de rochas, olivina, que até então eram tratadas apenas como rejeito da mineração.
A olivina, geralmente considerada de baixo valor, tem aplicações restritas — desde o uso como peridoto semiprecioso até pedras para saunas finlandesas ou como substituto da dolomita em siderúrgicas. A empresa Aspiring Materials, no entanto, identificou nesse silicato uma fonte de hidróxido de níquel-manganês-cobalto (NHM), elemento-chave nas baterias de íons de lítio de alta densidade que abastecem veículos elétricos, ferramentas e sistemas de armazenamento de energia no mundo inteiro.
Hoje, o fornecimento desses metais é marcado por riscos geopolíticos e sociais. O cobalto, por exemplo, é extraído quase exclusivamente na República Democrática do Congo, onde há registros recorrentes de violência, trabalho escravo e violações de direitos humanos. O níquel é produzido majoritariamente na Indonésia e o manganês na África do Sul — ambos exportados quase em sua totalidade para refinamento na China.
Essas vulnerabilidades na cadeia de suprimentos têm levado países ocidentais e empreendedores a buscarem alternativas não convencionais, capazes de reduzir dependências e, ao mesmo tempo, incorporar princípios de circularidade.
É nesse contexto que a olivina ganha protagonismo. Normalmente empilhada ou comercializada como cascalho, ela pode liberar NHM por meio de um processo de lixiviação em baixa temperatura e pressão ambiente, movido a energia renovável.

Segundo a Spectrum, que publicou uma revisão sobre os métodos da startup, a planta piloto da Aspiring Materials em Christchurch utiliza tanques e equipamentos semelhantes aos de uma fábrica de laticínios. Lá, a areia de olivina é misturada com ácido sulfúrico até se transformar em uma pasta viscosa de elementos químicos. Etapas subsequentes de ajuste de partículas e controle térmico, acrescidas de soda cáustica, resultam em três subprodutos úteis:

50% em análogos do cimento Portland, o material de construção mais utilizado no planeta;
40% em compostos de magnésio, com aplicações diversas e maior valor agregado que a própria olivina;
10% em metais mistos, sendo 1% o desejado NHM, alvo de governos em todo o mundo.

O líquido residual passa ainda por um processo de eletrólise que regenera o ácido usado nas reações, criando um ciclo de produção limpo e eficiente, baseado em um material amplamente disponível.
Esse modelo de recuperação e reciclagem vem ganhando destaque por sua confiabilidade e menor impacto ambiental. Para Jim Goddin, membro do comitê de especialistas que elaborou a Estratégia de Minerais Críticos do Reino Unido em 2023, mesmo que o ambiente altamente ácido necessário para extrair NHM da olivina eleve os custos, mercados ocidentais já enxergam vantagem.
“Embora o ambiente altamente ácido necessário para extrair NMH da olivina possa resultar em um produto final de custo mais alto, os mercados ocidentais estão progressivamente vendo métodos de produção mais limpos como algo que vale o custo extra diante da potencial imprensa negativa de organizações que conduzem análises sobre sustentabilidade”, afirmou à Spectrum.

Fonte: CicloVivo

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