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Sargaço pode ser oportunidade para a economia azul no Grande Caribe

04/09/2025

Nos últimos anos, a proliferação de sargaço tornou-se um dos maiores desafios no Grande Caribe. Antes símbolo da biodiversidade marinha, esta macroalga hoje cobre praias de Barbados ao México, ameaçando turismo, ecossistemas, meios de subsistência e, sobretudo, a saúde pública.
O aquecimento dos oceanos e a alteração nos fluxos de nutrientes, como os do rio Amazonas, criaram condições ideais para o sargaço. Ao chegar à costa e se decompor, ela libera gases tóxicos —sulfeto de hidrogênio e amônia— que afetam quem vive ou trabalha próximo às praias.
Comunidades relatam aumento de doenças respiratórias, sobretudo em idosos, crianças e pessoas com asma ou DPOC. Em Martinica e Guadalupe, pesquisas ligam a exposição crônica ao sargaço a dores de cabeça, náuseas, irritação ocular e até complicações na gravidez, como pré-eclampsia. O impacto recai principalmente sobre comunidades costeiras, muitas vezes sem acesso a serviços de saúde adequados.
Apesar da gravidade, os riscos do sargaço ainda recebem pouca atenção nos debates globais sobre clima e saúde, que se concentram em calor extremo, vetores e segurança alimentar. É urgente ampliar pesquisas epidemiológicas e toxicológicas para definir limites de exposição, estratégias de mitigação e protocolos de saúde pública, como sistemas de alerta precoce e normas de limpeza seguras.
Mas o sargaço também pode ser uma oportunidade. Quando coletado antes da decomposição, pode ser transformado em produtos de alto valor: bioplásticos, fertilizantes, ração, cosméticos e biocombustíveis. Iniciativas na República Dominicana, México e Barbados já mostram resultados promissores. A coleta precoce ainda preserva compostos bioativos com potencial para a indústria farmacêutica, abrindo espaço para inovação em saúde e descoberta de medicamentos.
Essa abordagem se conecta à ideia de uma economia azul justa, que utiliza recursos marinhos sem degradar ecossistemas ou prejudicar comunidades locais. A cadeia do sargaço pode gerar empregos, apoiar empreendedores e fortalecer novas indústrias de biotecnologia e manufatura sustentável.
O desafio também pode servir como ferramenta de educação ambiental e resiliência climática. Escolas, centros de capacitação e campanhas públicas podem usar o tema para ensinar sobre biodiversidade, aquecimento dos mares e vínculos entre clima e saúde. Quando se entende que mudanças oceânicas podem causar doenças respiratórias, complicações gestacionais e até impactos mentais, a crise climática se torna mais próxima e real.
Enfrentar o sargaço exige uma resposta transdisciplinar: oceanógrafos, cientistas climáticos, profissionais de saúde, economistas, setor do turismo, líderes comunitários e formuladores de políticas precisam atuar juntos. O objetivo deve ser proteger ecossistemas, reduzir riscos sanitários, sustentar economias locais e preservar a vital indústria turística.
O Caribe, que sofre os piores efeitos da crise, também pode liderar soluções inovadoras. O futuro pode transformar essas algas de ameaça em símbolo de renovação, desde que haja cooperação regional, ciência integrada e compromisso com saúde, equidade e sustentabilidade.

Fonte: Folha de S. Paulo

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