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Como a Europa perdeu uma área do tamanho do Chipre devido a incêndios florestais

09/09/2025

Patricia Lamela estava voltando para a cidade galega de Larouco, no noroeste da Espanha, quando recebeu a ligação. Era 13 de agosto, pouco antes das 19h, e um vizinho avisou que havia um incêndio na floresta.
Lamela, prefeita de Larouco, não ficou surpresa com a notícia. A área ao redor de sua pequena vila, com menos de 500 habitantes, estava registrando temperaturas acima de 40 °C por mais de duas semanas, durante uma das ondas de calor mais longas e intensas já registradas na Espanha.
Ervas daninhas e arbustos que haviam prosperado durante uma primavera particularmente chuvosa secaram e viraram combustível para o fogo. A ausência de pessoas limpando e cuidando da floresta, em uma das regiões menos povoadas da Espanha, significava que um grande incêndio era apenas questão de tempo.
Com a mão ainda no volante, Lamela notificou as autoridades regionais e pediu ajuda. Depois, ligou para o funcionário da prefeitura para preparar o único caminhão de bombeiros da cidade e pediu a um sobrinho que postasse uma mensagem no grupo de WhatsApp da vila convocando voluntários.
"Nas primeiras horas, éramos só nós, vizinhos, e nosso caminhão", disse ela. "O governo regional e seus recursos estavam combatendo incêndios em outros lugares."
Em poucas horas, o incêndio de Larouco se tornou o maior já registrado na Galícia, queimando mais de 300 km².
A cidade não estava sozinha em sua tragédia, já que dezenas de incêndios semelhantes estavam surgindo por toda a Espanha e Portugal em meados de agosto, sobrecarregando as autoridades e dificultando a coordenação dos esforços de combate ao fogo entre dezenas de agências e departamentos, segundo relatos de políticos locais, bombeiros e moradores que também enfrentaram as chamas.
Fora da Península Ibérica, a destruição foi semelhante em toda a Europa. Este ano, mais de 1.900 incêndios florestais ocorreram na União Europeia, queimando um recorde de 9.860 km² —uma área maior que Chipre— segundo estimativas de satélite do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais da UE.
A mudança climática desempenha um papel importante nas cenas intermináveis de fumaça e fogo. A Europa é o continente que mais aquece no mundo, e o calor escaldante e a seca que alimentaram os incêndios deste verão devem se intensificar nas próximas décadas, criando condições para ventos fortes espalharem ainda mais as chamas.
Mas o aquecimento global é apenas parte da história: a falta de coordenação entre agências, a fragmentação da propriedade da terra e os serviços de combate ao fogo com poucos recursos também transformaram muitos focos em incêndios incontroláveis.
Embora países como a Grécia tenham começado a mostrar como investimentos significativos em monitoramento e equipamentos podem reduzir os piores impactos, a Europa ainda enfrenta riscos à medida que o mundo continua a bater recordes de temperatura.
Na Galícia, uma das regiões mais propensas a incêndios da Europa, este verão desafiou suposições antigas sobre o comportamento do fogo. Como explicou Lamela, os incêndios sempre subiam as colinas em sua cidade, nunca desciam. Os voluntários acreditavam que, se protegessem a vila no fundo do vale, estariam seguros. Esperava-se que as chamas queimassem a floresta e parassem na crista, dando tempo para as equipes regionais chegarem e apagarem o fogo.
Em 13 de agosto, isso não aconteceu. As chamas continuaram subindo até que ventos mudaram imprevisivelmente a direção do fogo.
"Aquele incêndio teve um comportamento estranho o tempo todo", disse Lamela. "Primeiro subiu, depois cruzou a crista e desceu em velocidade incrível em direção à vila de Freixido."
Em Larouco, os voluntários trabalharam dias sem descanso. Um bombeiro desmaiou após 17 horas seguidas de trabalho. As equipes de apoio recebidas dos governos local, regional e central, além do Exército, foram intermitentes e insuficientes, já que incêndios semelhantes surgiam simultaneamente em cidades vizinhas.
Pela primeira vez em incêndios florestais, a Espanha ativou o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, que permite aos membros da UE solicitar ajuda de outros países do bloco.

Termine de ler esta reportagem acessando a Folha de S. Paulo

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