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De jogo com algas a comunicação por piruetas, projeto desvenda golfinhos de Fernando de Noronha

23/09/2025

Muito antes do sol despontar sobre as montanhas escarpadas de Fernando de Noronha, cientistas equipados com binóculos, prancheta, contador e muito repelente se dirigem à extremidade sudoeste da maior ilha do arquipélago.
Por volta das 5h da manhã, começa a caminhada por uma trilha, de cerca de 1 quilômetro de extensão, indo de uma das entradas do Parque Nacional Marinho até o mirante sobre a Baía dos Golfinhos. Ainda no escuro, os pesquisadores disputam o espaço com os pernilongos para aguardar a alvorada e, com ela, a chegada dos animais que dão nome à baía.
Em pouco tempo aparecem, ao longe, as primeiras nadadeiras dorsais cortando a superfície do mar —logo, os números crescem para dezenas e chegam até centenas de golfinhos-rotadores.
A espécie, que recebe esse nome devido a saltos característicos, representa mais de 99% dos golfinhos de Noronha e é monitorada há 35 anos pelo Projeto Golfinho Rotador. A observação e contagem dos golfinhos acontecem quase diariamente ao longo de todo esse tempo, faça chuva ou faça sol.
"Quando me perguntam sobre isso, eu costumo dizer: a gente pesquisa golfinho. Se pesquisássemos golfinho e dias de sol, aí não precisava vir com chuva", brinca o gaúcho José Martins da Silva Junior, um dos fundadores do projeto.
Os golfinhos chegam ao amanhecer porque usam as águas calmas do arquipélago durante o dia para descansar, brincar, cuidar de seus filhotes e se refugiar de tubarões. À noite, se deslocam para o alto-mar para caçar peixes e lulas.
O comportamento dos golfinhos-rotadores é o foco do projeto de pesquisa que, ao longo dos anos, contou com diferentes fontes de financiamento, desde o apoio inicial dado pelo pai do oceanógrafo ao patrocínio atual, do braço socioambiental da Petrobras.
Silva Junior explica que, até começo dos anos 1990, a maioria avassaladora dos estudos de cetáceos (como golfinhos e baleias) eram feitos com animais encontrados mortos nas praias ou avistados a partir de barcos ou da terra firme. "Praticamente não existia pesquisa em mergulho, vendo o que eles fazem debaixo d´água", diz.
"A minha companhia preferida é a dos golfinhos. Eu tenho mais de 1.500 mergulhos, só eu e mais de 200 golfinhos. Isso em um lugar em que ninguém mais mergulhava", conta.
Entrando na água com os golfinhos-rotadores —onde, afinal, eles passam a maior parte da vida— foi possível fazer novas descobertas científicas. Entre elas, está o fato de que alguns peixes se alimentam das fezes e do vômito dos golfinhos, demonstrando uma função ecológica da espécie até então desconhecida.

Termine de ler esta reportagem clicando na Folha de S. Paulo

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