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Japão inaugura usina que gera energia com águas doce e salgada

30/09/2025

Fukuoka, no Japão, inaugurou uma instalação que pode representar um marco para o futuro da energia renovável. Trata-se da primeira usina osmótica do país – e apenas a segunda em operação em todo o mundo. O projeto tem capacidade de gerar cerca de 880.000 quilowatts-hora de eletricidade por ano, energia suficiente para alimentar a própria usina de dessalinização da cidade e garantir o fornecimento de água potável às residências da região. Segundo o Dr. Ali Altaee, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Sydney, essa quantidade de eletricidade equivale a manter cerca de 220 lares japoneses abastecidos.
Embora os números ainda pareçam modestos, o conceito por trás da usina osmótica é extremamente promissor. Diferentemente da energia solar ou da eólica, que dependem de fatores climáticos e da luz do dia, a osmose pode funcionar de maneira ininterrupta, 24 horas por dia. Tudo o que ela exige é o contato entre água doce e água salgada.
A osmose, princípio natural que sustenta esse processo, ocorre quando duas soluções com diferentes concentrações de sal são separadas por uma membrana. A água naturalmente flui do lado menos salino para o mais salino, buscando equilíbrio. As usinas utilizam essa movimentação: de um lado, coloca-se água doce ou tratada; do outro, água do mar levemente pressurizada. O fluxo resultante aumenta a pressão, que então aciona uma turbina responsável por gerar eletricidade. No caso de Fukuoka, existe ainda uma solução engenhosa: além da água doce convencional, a usina pode aproveitar águas residuais tratadas, combinando-as com o mar para produzir energia. Esse detalhe amplia o potencial da tecnologia e mostra como ela pode ser integrada a sistemas urbanos já existentes.
Com a inauguração japonesa, apenas dois países no mundo contam com usinas de energia osmótica em funcionamento: Japão e Dinamarca. A primeira foi construída em 2023, em Mariager, pela empresa SaltPower. De acordo com a professora Sandra Kentish, da Universidade de Melbourne, a instalação de Fukuoka é maior, embora ambas operem com capacidade semelhante. Outros países também já exploraram projetos-piloto. A Noruega e a Coreia do Sul realizaram testes experimentais, enquanto o próprio Altaee desenvolveu protótipos na Espanha, no Catar e em Sydney. Na Austrália, os avanços foram interrompidos pela pandemia, mas o pesquisador afirma que a expertise necessária ainda está disponível para ser retomada.
Apesar do potencial, transformar a osmose em fonte prática de energia não é simples. Kentish explica que, embora a mistura de água doce com água salgada libere energia, parte significativa se perde no bombeamento dos fluxos até a usina e no atrito através das membranas. Isso reduz a energia líquida realmente aproveitável. Mesmo assim, há progresso. Novos designs de bombas e membranas estão ajudando a diminuir as perdas. A própria usina de Fukuoka apresenta uma inovação relevante: ela utiliza a salmoura – água do mar concentrada que sobra do processo de dessalinização. Essa solução mais salgada amplia a diferença de concentração entre os lados da membrana, o que potencializa a geração de eletricidade.
Pesquisadores consideram a usina japonesa um divisor de águas. Altaee destaca que a Austrália, por exemplo, possui lagos salgados próximos a Nova Gales do Sul e Sydney que poderiam ser aproveitados para instalações semelhantes. Caso haja investimento, o protótipo desenvolvido pela UTS poderia ser reativado em escala maior, acompanhando os avanços vistos no Japão. Por enquanto, a contribuição de Fukuoka ainda é modesta, mas o valor simbólico e tecnológico é enorme. A energia osmótica é uma das poucas fontes renováveis capazes de operar de forma estável e contínua: sem depender do sol, do vento ou de variações sazonais. Cada novo protótipo aproxima a tecnologia de integrar de forma concreta a matriz energética limpa do planeta.
Como funciona a energia osmótica em três passos simples: primeiro, água doce (ou tratada) e água do mar são colocadas em lados opostos de uma membrana semipermeável. Em seguida, a água doce atravessa a membrana em direção à solução salgada, aumentando a pressão. Por fim, essa pressão extra move uma turbina conectada a um gerador, produzindo eletricidade constante e renovável.

Fonte: CicloVivo

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