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A briga na Justiça entre Ibama e influenciadora pela guarda da jaguatirica Pituca na Amazônia

02/10/2025

Em agosto de 2021, a Polícia Militar de uma cidade do interior do Mato Grosso recebeu uma denúncia de caça ilegal de animais à margem de um lago. No local, encontrou o casal Clayton Pires Cabral, 41, e Luciene Candido, 42, e outras pessoas.
Uma arma foi encontrada sob uma caminhonete e, em outro veículo, munição. As autoridades encontraram também um jacaré e dois veados campeiros mortos.
Preso em flagrante por crime ambiental e porte ilegal de arma, Clayton admitiu ter caçado, alegando ser a primeira vez e que queria apenas alimentar a família.
A Justiça concedeu liberdade provisória no dia seguinte. Depois, o caso foi arquivado, sem condenações. Luciene não fez parte do processo.
Clayton e Luciene seguiram suas vidas sem novos registros de atritos com autoridades ambientais e se mudaram para uma fazenda em Uruará, no interior do Pará, região de Altamira, próxima à rodovia Transamazônica.
Até que, em 2025, uma nova denúncia voltou a colocar o casal no centro das atenções. Dessa vez não só de autoridades, mas de centenas de milhares de pessoas.
O Ibama apreendeu, na propriedade do casal, uma jaguatirica que estava sendo cuidada por Luciene, sob acusação de maus-tratos e exploração da imagem do animal nas redes sociais. Ela também foi multada em R$ 10 mil.
Batizada de Pituca, a jaguatirica aparece em centenas de vídeos publicados por Luciene, que hoje reúne mais de 500 mil seguidores em contas no Facebook, TikTok e Instagram.
A apreensão virou motivo para uma campanha contra o Ibama nas redes e até ameaças anônimas por e-mail a servidores do instituto, conforme revelou a BBC News Brasil.
O discurso crítico ao instituto diz que a jaguatirica era bem tratada e que estava livre, vivendo de forma harmoniosa com a família. Uma petição online que pede que "libertem a Pituca" conta com 27,4 mil assinaturas.
O Ibama diz agir com base na lei, já que é infração ambiental "explorar ou fazer uso comercial de imagem de animal silvestre mantido irregularmente em cativeiro ou em situação de abuso ou maus-tratos".
Agora Luciene disputa, na Justiça, a anulação das multas e a devolução do animal silvestre, que segue sob tutela do Ibama.
O advogado afirma que ela não busca a guarda da jaguatirica, mas apenas a sua devolução ao que considera ser o "habitat natural" do animal -a propriedade rural em que Luciene mora.
A BBC News Brasil teve acesso inédito à íntegra dos processos judiciais. O de caça, contra Clayton, que não era de conhecimento do Ibama, e o atual, sobre a jaguatirica.
Os documentos ajudam a entender um caso simbólico que envolve a exibição de animais silvestres em redes sociais, prática cada vez mais frequente no país, e que preocupa autoridades ambientais, por acreditarem que pode estimular o tráfico desses animais.

Luciene conta em um vídeo que Pituca foi encontrada por um "cão de caça".
"Meu marido estava trabalhando na fazenda e escutou quando o cachorro fez a barulheira. E correu pra ver. Quando chegou lá, o Spike [nome do cão] estava com a Pituca na boca. Ele acuou ela e pegou ela. Acho que ela tinha acabado de nascer. Ele [o cachorro] é muito obediente. É um cachorro caçador, porém muito obediente. Meu marido falou pra ele soltar, soltou na hora. Ela estava com a patinha da frente quebrada, deslocada", contou.
Foi aí que ela decidiu levar o animal para casa. "A gente não podia ter deixado ela lá na forma que ela estava. Não sabia o paradeiro da mãe. Então trouxemos ela para gente cuidar. A mãe dela não foi abatida, não sabemos o paradeiro da mãe dela."
A história foi usada pelo Ibama como indício de caça.
"O animal pode ter sido vítima da caça da mãe ou ela pode ter se ausentado para buscar alimento e ele foi subtraído do habitat, o que configura crime", diz o superintendente do Ibama no Pará, Alex Lacerda de Souza.
Luciene nega essa versão no processo e diz que o Ibama distorceu o vídeo.
Afirma que Spike, o cão citado no vídeo, é "banguela" e também um vira-lata "muito idoso".

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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