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Dá para salvar os recifes de coral do branqueamento? Quais soluções estão em teste?

07/10/2025

Os recifes de coral, entre os ecossistemas mais ricos em biodiversidade do planeta, estão sob forte pressão.
O aquecimento crescente dos oceanos provoca o branqueamento (quando os corais expulsam as algas que garantem sua sobrevivência), e esse processo pode levar à morte em larga escala.
Os últimos episódios em Fernando de Noronha, com até 95% de cobertura afetada em 2024, e os alertas de 2025 sugerem que eventos severos se tornaram praticamente anuais.
Por isso, a pergunta que pesquisadores se fazem agora é: ainda dá para reverter algo?
A resposta é que não existe solução única, mas um conjunto de estratégias pode ganhar tempo e aumentar a resiliência dos recifes.
Uma das frentes é o desenvolvimento de corais mais resistentes ao calor, já em andamento em laboratórios, onde fragmentos capazes de suportar temperaturas mais altas são selecionados, multiplicados e replantados em áreas degradadas.
Outra linha de pesquisa é o microbioma do coral.
Experimentos introduzem bactérias benéficas que funcionam como probióticos, ajudando os organismos a enfrentar o estresse térmico.
Ensaios na Europa também testam antioxidantes naturais, como a curcumina, que reduzem o branqueamento.
Há ainda soluções de engenharia. No Havaí e em Pernambuco, estruturas flutuantes são usadas para criar sombreamento e reduzir a temperatura da água.
Em alguns casos, corais são transferidos para águas mais profundas, onde a variação térmica é menor.
Uma das iniciativas mais visuais é a restauração ativa, conhecida como “jardins de coral”: fragmentos são cultivados em estruturas submersas que lembram árvores, e depois replantados em recifes degradados.
No Brasil, a Biofábrica de Corais, em Pernambuco, já aplica essa técnica.
A estratégia nacional ProCoral e projetos como o Coralizar, em Porto de Galinhas, também mostram como ciência, turismo e comunidades locais podem se unir para enfrentar o problema.
Ao g1, o professor Carlos Eduardo Leite Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que ainda é cedo para prever como as espécies de corais em Noronha e em outros lugares do Brasil vão responder aos novos episódios de calor.
“Os corais de águas rasas certamente vão sofrer mais, enquanto os recifes formados por Montastrea cavernosa, abundantes entre 20 e 60 metros de profundidade, tendem a resistir melhor”, explica.
Pesquisas recentes também indicam que a natureza já vem selecionando espécies de algas simbiontes (zooxantelas) mais resistentes ao calor.
Mas, para os cientistas, o desafio é combinar esse processo natural com intervenções humanas que acelerem a recuperação.
“O clima está mudando em um ritmo muito mais rápido do que a capacidade dos recifes de se adaptar sozinhos”, resume Ferreira. “Sem investimento consistente e estratégias coordenadas, arriscamos perder ecossistemas únicos que sustentam comunidades costeiras e a biodiversidade marinha.”

Fonte: g1

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