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Solar e eólica já suprem o crescimento da demanda global por eletricidade

09/10/2025

O setor de energia global atingiu um marco importante: no primeiro semestre de 2025, as fontes solar e eólica cresceram o suficiente para suprir todo o aumento da demanda por eletricidade. De acordo com o relatório Global Electricity Review – Mid-Year Insights 2025, do think tank Ember, esse avanço resultou em uma leve queda no uso de carvão e gás, marcando uma mudança importante na matriz energética global. O documento foi lançado na última terça-feira (7).
As energias renováveis ultrapassaram o carvão pela primeira vez na história. A geração renovável alcançou 5.072 TWh, superando os 4.896 TWh gerados pelo carvão, que recuou 31 TWh em relação ao ano anterior. A energia solar sozinha respondeu por 83% do crescimento da demanda, com um avanço recorde de 306 TWh (+31%).
Para Małgorzata Wiatros-Motyka, Analista Sênior da Ember, o cenário indica que estamos diante de uma mudança significativa no sistema energético mundial. Ela destaca: “A energia solar e eólica estão crescendo rápido o suficiente para atender ao crescente apetite mundial por eletricidade. Isso marca o início de uma mudança em que a energia limpa está acompanhando o crescimento da demanda.”
No mesmo dia, a Agência Internacional de Energia (IEA) divulgou o relatório Renewables 2025, que confirma que a capacidade global de geração renovável deve dobrar até 2030. A energia solar continuará sendo o principal motor desse crescimento, representando cerca de 80% da expansão total prevista e mantendo-se como “a opção de menor custo para novas gerações de eletricidade na maioria dos países.”
Fatih Birol, Diretor Executivo da IEA, aponta que o crescimento não se limita aos mercados tradicionais. “Além do crescimento em mercados estabelecidos, a energia solar deve registrar um crescimento acelerado em economias como Arábia Saudita, Paquistão e diversos países do Sudeste Asiático”, afirma. No entanto, ele alerta que “os formuladores de políticas precisam estar atentos à segurança das cadeias de suprimento e aos desafios de integração às redes elétricas.”
As projeções são ambiciosas: até 2030, a capacidade global de renováveis pode crescer em 4.600 GW, o equivalente à soma das capacidades de geração da China, da União Europeia e do Japão. Isso evidencia o papel crescente das fontes limpas na segurança energética e no crescimento econômico mundial.
De acordo com Raul Miranda, diretor do programa global da Ember, “a revolução das energias renováveis é imparável.” Ele destaca que países da Ásia, África e América Latina estão liderando esse avanço, impulsionados pela queda acelerada dos custos e pela crescente demanda por eletricidade. “As energias renováveis estão atendendo à crescente demanda mundial por eletricidade, impulsionando o crescimento econômico e fortalecendo a segurança energética,” acrescenta.
A substituição de fontes fósseis já é visível. No primeiro semestre de 2025, a geração por carvão caiu 0,6% (-31 TWh) e a de gás natural, 0,2% (-6 TWh), enquanto as emissões globais do setor energético recuaram 0,2%. Ainda que modesta, essa queda indica que a geração renovável não apenas acompanha a demanda, mas já começa a substituir as fontes poluentes.
Segundo a Ember, “metade do mundo já ultrapassou o pico da geração de energia fóssil”. Isso mostra que, embora a transição energética esteja em curso, o ritmo ainda é desigual entre as regiões, sendo essencial acelerar a implementação de energia solar, eólica e baterias para consolidar os ganhos climáticos e econômicos.
A dinâmica entre as quatro maiores economias globais – China, Índia, União Europeia e Estados Unidos – revela contrastes importantes na transição energética. Enquanto China e Índia reduziram sua geração fóssil, EUA e UE registraram aumento.
Na China, o crescimento das renováveis superou o aumento da demanda, levando a uma queda de 2% na geração por combustíveis fósseis. A Índia, com demanda fraca (apenas +1,3%), viu as fontes limpas crescerem três vezes mais do que o necessário, o que reduziu o uso de carvão em 3,1% (-22 TWh) e o de gás em 34% (-7,1 TWh).
Já nos Estados Unidos, o avanço da demanda superou a oferta renovável, exigindo mais uso de fontes fósseis. Na União Europeia, a baixa geração eólica e hidrelétrica forçou o aumento da geração por gás e carvão. Esses dados mostram que o sucesso da transição dependerá cada vez mais de infraestrutura de armazenamento, flexibilidade nas redes e políticas energéticas robustas.

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