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USP lança registradora inédita de créditos de carbono

16/10/2025

A Universidade de São Paulo, por meio do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), lança a RCGI-USP Carbon Registry, a primeira registradora nacional de créditos de carbono do Brasil. Um dos diferenciais da iniciativa está no desenvolvimento de metodologias próprias, continuamente auditadas e alinhadas a padrões internacionais, e no modelo CCB-SS (Clima, Comunidade, Biodiversidade, Ciência & Social), que exige que parte dos créditos seja destinada a um fundo exclusivo para financiar pesquisas científicas e projetos socioambientais.
Na prática, uma registradora funciona da seguinte forma: é ela quem valida, emite e acompanha cada crédito de carbono, garantindo que seja único, verificável e rastreável. Sem registro, o crédito não existe — nem para quem precisa cumprir metas de descarbonização, nem para quem deseja vender seus resultados ambientais. O ciclo envolve cinco atores principais: proponente e desenvolvedor do projeto, verificador independente (auditoria), registradora (validação, registro e rastreabilidade) e os compradores e vendedores. Esse funcionamento explica o papel central das registradoras no mercado de carbono.
“Uma registradora de carbono se torna mais robusta quando combina dois elementos essenciais: ciência e interesse público — e é isso que a USP traz para o processo. A RCGI-USP Carbon Registry já nasce com metodologias próprias, continuamente auditadas, que devem fortalecer a integridade dos créditos brasileiros e alinhá-los às melhores práticas internacionais”, afirma Julio Meneghini, diretor científico do RCGI-USP e um dos diretores científicos da iniciativa.
As metodologias adotadas pela RCGI-USP Carbon Registry foram desenvolvidas para a realidade brasileira, garantindo aderência tanto às particularidades da indústria e dos biomas nacionais — Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica — quanto aos padrões internacionais da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima).
Já o modelo CCB-SS (Clima, Comunidade, Biodiversidade, Ciência & Social) estabelece que parte dos créditos seja destinada, de forma obrigatória, a um fundo para financiar iniciativas de pesquisa científica, conservação ambiental e impacto social, tornando esses aportes estruturais e não opcionais.
No campo operacional, a registradora busca reduzir barreiras práticas para o setor produtivo: cobra em reais, adota prazos de análise de até 90 dias — contra até 12 meses de plataformas internacionais — e oferece uma ferramenta para elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa com base no padrão internacional GHG Protocol. O sistema é simplificado e guiado para micro e pequenas empresas e, no caso de grandes companhias, inclui suporte técnico para incorporar também emissões indiretas.
A operação da RCGI-USP Carbon Registry ficará a cargo de uma startup com DNA USP. À Universidade caberá o desenvolvimento de metodologias científicas próprias e a certificação da adequação de metodologias externas, sempre com revisão e auditoria de um comitê técnico independente coordenado pelo RCGI-USP — garantindo que o rigor científico esteja presente em todas as etapas.
Esse rigor não é circunstancial: ele se apoia na sólida base construída pelo RCGI-USP, criado em 2015 e hoje reconhecido como um dos maiores centros de pesquisa em transição energética do país. Reunindo cerca de 800 pesquisadores, o centro conduz dezenas de projetos em áreas que vão de soluções baseadas na natureza e captura de carbono até inovação em sistemas de energia e descarbonização. Essa estrutura já viabilizou iniciativas pioneiras, como a primeira planta piloto do mundo para produção de hidrogênio a partir de etanol e avanços em metanol verde obtido da captura de CO₂.
Hoje, o mercado de carbono no Brasil funciona de forma voluntária, permitindo que empresas mantenham inventários e compensem emissões por iniciativa própria. Um estudo do Banco Mundial (2023) mostrou que o país respondeu por quase metade dos créditos emitidos na América Latina e Caribe entre 2005 e 2023 — 314 milhões de tCO₂e. Apesar do protagonismo em volume, os preços médios seguem abaixo do ideal para fomentar projetos de baixo carbono.
O relatório aponta fragilidades que afetam diretamente a valorização dos créditos na região: críticas recentes à integridade de projetos florestais e REDD+ (redução de emissões por desmatamento e degradação florestal) reduziram a confiança do mercado e pressionaram os preços. Entre os problemas citados estão riscos de leakage (quando a pressão por desmatamento é apenas deslocada para outra área), de não permanência (como incêndios ou mudanças de uso do solo que liberam novamente o carbono estocado) e falhas em sistemas de MRV — monitoramento, reporte e verificação.
Sem metodologias próprias, mecanismos robustos de qualidade e verificabilidade, alerta o documento, os créditos latino-americanos correm risco de perda de valor e credibilidade internacional. É nesse cenário que a RCGI-USP Carbon Registry se propõe a atuar.
Com metodologias próprias para a realidade brasileira, auditadas continuamente e alinhadas aos padrões internacionais, a registradora busca elevar o padrão de integridade, fortalecer a confiança no mercado voluntário e preparar o país para o futuro mercado regulado. Pelo desenho do SBCE, empresas que emitem acima de 10 mil tCO₂e/ano deverão monitorar e reportar suas emissões; aquelas acima de 25 mil tCO₂e/ano também terão de entregar cotas equivalentes às suas emissões.

Fonte: CicloVivo

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