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Explosão de algas no sul da Austrália mata animais e espanta banhistas

06/11/2025

Mesmo em um dia de primavera com sol e céu azul, as praias de Holdfast Bay, em Adelaide, no sul da Austrália, estão vazias. Ao longo da faixa de areia, placas explicam o motivo: uma explosão na floração de algas, que vem matando animais marinhos e provocando mal-estar em banhistas e surfistas.
Segundo a prefeita da comunidade de Holdfast Bay, Amanda Wilson, os primeiros sinais de que algo fora do comum estava acontecendo ocorreram em março, quando surfistas passaram a relatar que tinham ficado doentes depois de nadar.
"Por volta de maio, começamos a ver que a floração de algas estava se espalhando. E então, em julho, ao longo da nossa costa metropolitana, passamos a ver peixes, tartarugas, golfinhos e pássaros mortos nas praias", conta.
Adelaide disputa com Antalya, na Turquia, o posto de cidade-sede da COP31, edição de 2026 da cúpula climática das Nações Unidas, que neste ano acontece em Belém (PA).
A multiplicação das algas microscópicas —principalmente da espécie Karenia mikimotoi— fica aparente com o acúmulo de espuma cinzenta na superfície e pela tonalidade escura da água.
A proliferação descontrolada é causada, na maior parte, pelo calor anormal acumulado no oceano. Desde setembro, a costa do estado de South Australia vem sofrendo com uma onda de calor marinho que elevou a temperatura da água a 2,5°C acima da média histórica.
De acordo com o diretor-executivo do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do estado, o cientista marinho Mike Steer, também colaboraram para o fenômeno inundações do rio Murray, de novembro de 2022 a fevereiro de 2023, que levaram mais matéria orgânica para o mar, e a ressurgência de água fria, rica em nutrientes, no verão de 2024.
Essa floração excessiva faz com que a quantidade de oxigênio disponível na água diminua, o que leva à morte de animais menores, como peixes e cavalos-marinhos. Num efeito dominó, a falta destes animais, por sua vez, acaba matando de fome aqueles que estão mais acima na cadeia alimentar, como tubarões e golfinhos.
"Foi bastante horrível para as crianças e famílias caminharem pela praia e encontrarem uma quantidade tão grande de vida marinha morta, trazida pela maré. E isso é apenas uma fração [dos animais afetados], o resto está no mar", explica Wilson.
A proliferação das algas Karenia também impacta a saúde humana, causando irritação na pele, nos olhos, tosse e falta de ar. Além disso, segundo informações do governo estadual, algumas espécies podem soltar biotoxinas no ar devido à força das ondas, o que pode causar crises em pessoas com asma, enfisema, bronquite ou outros tipos de doenças pulmonares crônicas.
Holdfast Bay, uma comunidade costeira de 39 mil habitantes, depende da praia para turismo e lazer, que movimentam o comércio local. O efeito duradouro do fenômeno, porém, esvaziou as praias há meses.
"Essa questão tem, inclusive, implicações para a saúde mental. As pessoas vão à praia, caminham ao longo da esplanada todas as manhãs. É onde eles veem as pessoas, é onde interagimos. E não ter isso tem sido muito difícil", conta Wilson.
Não há sinais de que o cenário possa melhorar num futuro próximo. Com o aumento da temperatura trazido pelo verão, diminuem as chances da água do mar esfriar.

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