
18/11/2025
Florestas submersas, formadas por animais como os corais e por plantas como gramas marinhas e algas de diferentes tamanhos e cores, algumas delas gigantes, são responsáveis por uma parte essencial do oxigênio que respiramos. No entanto, o calor excessivo, a acidificação das águas e a poluição têm provocado um verdadeiro “desmatamento” desses ecossistemas oceânicos, numa perda diária comparável à derrubada de grandes extensões de florestas em terra firme.
Essas florestas marinhas filtram a água, absorvem parte da poluição gerada por nós e sustentam a vida no planeta, tanto quanto os biomas terrestres. Ainda assim, estamos destruindo estes habitats fundamentais.
O chamado “Pacote Azul” foi publicizado nos primeiros dias da COP30 e encaminhado pela presidência da conferência para compor a Agenda de Ação, que reúne diversas iniciativas voltadas aos oceanos. O investimento estimado para pesquisas, projetos e ações relacionadas ao oceano é de aproximadamente US$ 116 bilhões por ano.
O debate, conduzido por diferentes grupos, pode convergir para uma gestão regenerativa das Florestas Marinhas e das cadeias socioeconômicas que dependem desses ambientes. O programa Florestas Marinhas Para Sempre, publicado internacionalmente no início deste ano, foi amplamente discutido no Chile, onde pesquisadores de várias universidades, lideranças e representantes da sociedade civil lançaram a Declaração de Antofagasta.
No Brasil, o principal porta-voz da proposta é o professor Paulo Horta, pós-doutor titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), do Centro de Ciências Biológicas, e representante do Instituto Coral Vivo. “O oceano é super complexo e responsável pela nossa sobrevivência no Planeta, muito antes de existir a espécie humana e a humanidade. Portanto, não só a vida marinha, mas o pacto civilizatório depende do Oceano”, ensina o professor.
Horta esteve na COP30, onde defendeu o programa Florestas Marinhas Para Sempre. “Vemos que um dos principais focos da negociação está na implementação do fundo mundial intitulado Florestas Tropicais Para Sempre, que já recebeu bilhões em promessas de investimento. Mas um parágrafo importante deve ser acrescentado nas mesas de negociação, trata-se do oceano e das Florestas Marinhas”.
A proposta reúne ações para viabilizar o financiamento de uma gestão regenerativa do oceano, incluindo conservação, remediação e restauração de áreas degradadas. Ao envolver a sociedade — especialmente grupos mais vulneráveis — estima-se garantir economias regenerativas e distributivas, promovendo justiça socioambiental e climática, sobretudo no Sul global.
“Essa região gigantesca no Atlântico (que chamamos de Amazônia Azul) e parte do território nacional, têm biodiversidade e importâncias enormes, assim como seus equivalentes terrestres nas regiões tropicais”, argumenta o professor, reforçando que “A pressão da sociedade é fundamental para que a proposta de fato se transforme em política pública”.
Na tarde de quinta-feira (13), a proposta do Programa Florestas Marinhas Para Sempre foi entregue ao secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, que também está na COP30. Capobianco se comprometeu a analisar a possibilidade de incorporar o programa às propostas do ministério.
Fonte: CicloVivo
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