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Investimento climático cresce 157% no Brasil, mas deixa de lado setores com mais emissões

18/11/2025

O volume de recursos destinados ao enfrentamento da mudança climática no Brasil mais que dobrou desde 2019, alcançando US$ 67,8 bilhões (R$ 360 bilhões) em 2023 —um aumento de 157%. Grande parte dos recursos, porém, é direcionada ao setor de energia, que tem pouco peso nas emissões de gases do efeito estufa do país.
O financiamento climático é um dos principais pontos de tensão na COP30, a conferência das Nações Unidas sobre o clima, que ocorre em Belém. Países em desenvolvimento pedem mais recursos aos desenvolvidos, que são responsáveis pela maior parte das emissões.
Estudo lançado em outubro pelo CPI/PUC-Rio (Climate Policy Initiative, em parceria com a PUC/Rio) mostra que 44% dos recursos aportados com financiamento climático no biênio 2022/2023 foram destinados a projetos de geração de energia.
Setores com maior impacto nas emissões brasileiras, a agricultura e o uso da terra, também tiveram crescimento, mas grande parte do valor refere-se a crédito rural via bancos comerciais, que é alinhado ao clima, mas nem sempre tem resultados ou é bem fiscalizado.
Outro estudo do CPI/PUC-Rio, por exemplo, estima que cerca de três de cada quatro áreas beneficiadas por programa de empréstimo para recuperação de pastagem permanecia inalterada quatro anos após a concessão dos empréstimos.
"A restauração de pastagens é parte importante desse crédito rural, é uma das principais linhas", diz o diretor-executivo da CPI/PUC-Rio, Juliano Assunção, reforçando que parte do crédito rural mobilizado não está necessariamente ligado a resultados.
Já o financiamento para florestas despencou entre 2019 e 2023, passando de US$ 1,5 bilhão (R$ 8 bilhões) para US$ 254 milhões (R$ 1,3 bilhão). No país, o desmatamento e a agropecuária são responsáveis por mais de dois terços das emissões de gases do efeito estufa.
"Há uma concentração significativa de recursos em energia, que não reflete a estrutura das emissões brasileiras", avaliam os autores do estudo Panorama das Finanças Climáticas no Brasil, lançado no início do mês.
Dados mais recentes do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) corroboram a tese: cerca de 55% dos R$ 22 bilhões já aprovados pelo Fundo Clima, um dos principais mecanismos de financiamento climático do país, são para projetos de transição energética.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campelo, diz que tanto os dados da CPI/PUC-Rio quanto dos do próprio banco retratam um momento anterior. "Até 2023, o Fundo Clima não era uma fonte de recursos regular do banco", diz ela.
Os desembolsos do fundo começaram a se acelerar em 2024, continua a executiva, primeiro com o setor de energia porque já havia uma grande carteira de projetos prontos. Para florestas, foi necessário estruturar projetos e condições para a tomada de recursos.
Esta semana, em Belém, o banco celebrou a marca de R$ 7 bilhões em contratos para restauração e preservação de florestas, setor que diz ter colocado entre as prioridades. São 14 projetos já aprovados e outros 20 em carteira.
"Estamos criando um ambiente para esse tipo de operação. Queremos que o país se torne referência mundial em restauro de matas nativas", afirma Campelo.
A concentração de recursos de financiamento climático não é exclusividade brasileira: no mundo, quase metade do US$ 1,8 trilhão (R$ 9,5 trilhões) gasto em 2023 foi direcionado a sistemas de energia, segundo a versão global do estudo da CPI.
Além da elevada concentração em um setor que não emite muito, o país enfrenta também o desafio de melhorar a alocação de recursos em adaptação à mudança climática, isto é, medidas para preparar o país para os impactos já em curso, como secas, enchentes e desastres extremos.
Este segmento ficou com apenas 7% dos recursos totais aportados em financiamento climático no país entre 2022 e 2023, segundo o levantamento. Os dados do BNDES mostram que, em 2025, o valor aprovado para projetos de adaptação equivale a 10% do total aprovado para mitigação.
O cenário brasileiro não difere muito do global, diz o conselheiro do Hub de Economia e Clima do ICS (Instituto Clima e Sociedade), Rogério Studart. De todo o fluxo internacional de financiamento climático, afirma, apenas 2% são destinados a adaptação.
"Quando tem aumento das enchentes, por exemplo, as populações mais pobres é que são afetadas", afirma ele. "A prioridade deveria ser saneamento, moradia de qualidade, infraestrutura básica, refazer pontes e diques", enumera.
Campelo, do BNDES, diz que nesse caso, o banco está retornando de um longo período sem operações com o setor público. Já aprovou R$ 6,7 bilhões para adaptação, tendo como primeiro grande contrato um projeto de macrodrenagem em Belém.
O banco diz que implementou uma área interna para estudar projetos com governos estaduais e prefeituras. "O banco deu uma guinada n sua agenda. Queremos que o grosso dos investimentos esteja na agenda verde e adaptação é prioridade", diz Campelo.

Fonte: Folha de S. Paulo

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