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A corrida contra o tempo para descobrir espécies da Amazônia antes que desapareçam

02/12/2025

Quando o biólogo Rodrigo Costa Araújo, especialista em primatas, decidiu fazer seu doutorado, ele voltou os olhos para os saguis no Arco do Desmatamento na Amazônia, região de 500 mil km² que vai do Maranhão até o Pará e engloba também os estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre e que tem um dos maiores índices de destruição da floresta.
Araújo se embrenhou nas matas para tentar preencher as lacunas de conhecimento sobre espécies de saguis e impulsionado pela urgência de se conhecer o máximo possível sobre esses primatas para tentar impedir que a floresta Amazônica sofra a mesma deterioração que a Mata Atlântica, o bioma mais devastado do Brasil, com apenas um quarto de sua área original.
"Essa é a informação mais básica que a gente precisa para conservar a biodiversidade", diz Araújo, que, nos últimos 15 anos, vem tentando entender quantas espécies de macacos existem, quais são e onde estão.
Essa tem sido uma preocupação de outros pesquisadores, que esbarram nesta missão empecilhos como profissionais e recursos suficientes para fazer as expedições para explorar a imensidão da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo.
Enquanto isso, a floresta já perdeu 17% de suas áreas de vegetação nativa, segundo o MapBiomas. A resistência a incêndios florestais da Amazônia parece estar diminuindo em certas regiões.
Alguns cientistas receiam que o desmatamento e as mudanças climáticas estejam aproximando o bioma esteja de seu "ponto de não retorno", do qual a floresta não conseguirá se recuperar.
A pesquisa de doutorado de Araújo, concluída há cinco anos, revelou ao mundo duas espécies de saguis, que entraram imediatamente para a lista de espécies ameaçadas de extinção da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
No trabalho, o primatologista também fez um banco de dados de 99% das espécies de sagui a partir de análise do DNA.
Ele também criou um banco de dados das espécies de sagui do sul da Amazônia com informações sobre a distribuição geográfica e as características físicas dos animais.
Uma terceira espécie de macaco, habitante do Arco do Desmatamento ao norte do Mato Grosso, foi descrita por Araújo, bem como por outros pesquisadores em artigo publicado em 2018, e entrou para a lista da IUCN com grau máximo de risco de extinção.
O Plecturocebus grovesi está entre as 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo, segundo a organização.
Em 11 de novembro, o primatologista voltou a mergulhar na Amazônia em uma expedição de 40 dias em busca de possíveis novas espécies que viu enquanto trabalhava em seu doutorado.
Um estudo publicado em 2021 na revista Nature destacou que 10,4% das descobertas em potencial de novas espécies de vertebrados terrestres estão no Brasil, a maior porcentagem entre os países analisados.
Desse percentual do Brasil, 53% estão nas florestas tropicais úmidas, como a Amazônia e Mata Atlântica, diz o autor do estudo, Mario Moura, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Para chegar a essas conclusões, ele construiu um modelo estatístico para estimar a probabilidade de descoberta de novos vertebrados a partir de características tanto das espécies como das regiões onde ocorrem.
Foram analisadas quase 33 mil espécies para revelar o padrão emergente, isso é, para identificar os tipos de espécies e regiões onde as descobertas de novas espécies são mais prováveis.
Com isso, o pesquisador calculou a probabilidade que cada espécie teria de ser descrita e, em seguida, fez a média dessa probabilidade de acordo com a área em que a espécie ocorre.
A porcentagem que resultou desse cálculo representa a estimativa de espécies descobertas na região. A partir disso, é possível saber também as que ainda não foram descobertas.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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