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Mais de 60 mil pinguins morreram de fome na costa da África do Sul

09/12/2025

Os pinguins morreram em massa por um motivo simples e agonizante: a falta de alimento.
Em duas colônias importantes na costa da África do Sul, a grande maioria das aves reprodutoras provavelmente morreu de fome durante um período de oito anos devido ao colapso de suas fontes de alimento, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira (4).
As descobertas de uma equipe de pesquisadores do governo sul-africano, da Universidade de Exeter e de outras universidades se somam ao crescente conjunto de evidências sobre uma ameaça central à sobrevivência dos pinguins africanos, que viram seu número despencar e agora são considerados em perigo "crítico".
Os cientistas se concentraram nas ilhas Dassen e Robben, onde as populações da pequena ave, com seus chamados semelhantes a zurros e distintivas marcações preto e branco em forma de smoking, foram dizimadas de 2004 a 2011, quando o estoque de sardinhas das quais dependem caiu drasticamente —levando a uma perda estimada de 62 mil indivíduos reprodutores durante esse período.
Richard Sherley, coautor e biólogo de conservação da Universidade de Exeter, disse em um comunicado que os esforços para restaurar e manter um suprimento confiável de alimentos para as aves nas áreas de forrageamento "parecem ser essenciais para sua sobrevivência a longo prazo".
Existem menos de 10 mil pares reprodutores de pinguins africanos hoje, uma queda em relação aos 141 mil estimados em 1956 e potencialmente milhões no final do século 19. As aves, que crescem apenas até cerca de 60 centímetros de altura, são a única espécie de pinguim nativa da África do Sul e habitam principalmente pequenas ilhas nas costas desse país e da vizinha Namíbia.
Inúmeros fatores motivaram seu declínio precipitado, incluindo a colheita de guano, que os pinguins historicamente usavam para desenvolver ninhos adequados. Mas poucos perigos são tão grandes quanto a escassez de sardinhas e anchovas das quais se alimentam —suprimentos que enfrentam impactos tanto das mudanças climáticas quanto da pesca comercial.
A cada ano, os pinguins africanos passam pela muda, que envolve a perda e substituição de penas desgastadas para manter o calor e a impermeabilização. Mas, durante as várias semanas que esse processo leva, as aves devem permanecer em terra e são incapazes de caçar.
Normalmente, eles fariam um banquete para se preparar para um período tão difícil.
"Eles evoluíram para acumular gordura e depois jejuar enquanto seu corpo metaboliza essas reservas", disse Sherley. "Eles então precisam ser capazes de recuperar a condição corporal rapidamente depois... Então, essencialmente, se a comida for muito difícil de encontrar antes da muda ou imediatamente depois, eles terão reservas insuficientes para sobreviver ao jejum."
Isso, descobriram os pesquisadores, é uma situação que muito provavelmente alimentou uma morte em massa documentada nos anos após 2004, quando a principal fonte de alimento das aves caiu consistentemente para menos de um quarto de seus níveis máximos.
Os autores do estudo compararam um índice de disponibilidade de alimentos na região ao longo do tempo com a proporção de pinguins reprodutores que não retornaram às suas colônias para mudar. Uma imagem clara emergiu.
"A sobrevivência adulta, principalmente durante a crucial muda anual, estava fortemente relacionada à disponibilidade de presas", disse Sherley.
Os locais estudados pelos pesquisadores representam "duas das colônias de reprodução historicamente mais importantes", de acordo com o coautor Azwianewi Makhado, do Departamento de Silvicultura, Pesca e Meio Ambiente da África do Sul.
Mas, acrescentaram os pesquisadores, as perdas não estão confinadas a essas ilhas. "Esses declínios são espelhados em outros lugares", disse Sherley, observando que a espécie sofreu um declínio populacional de quase 80% nas últimas três décadas.
O artigo desta quinta-feira vem na esteira de outro estudo do mês passado, que descobriu que durante anos de escassez de peixes, os pinguins africanos tendem a se aglomerar nas mesmas áreas que os barcos de pesca comercial, criando uma intensa competição por um suprimento cada vez menor de presas.
Essas descobertas, publicadas no Journal of Applied Ecology, também usaram informações de rastreamento das ilhas Dassen e Robben para documentar essa "intensidade de sobreposição".
Em 2016, um ano marcado por baixos estoques de sardinhas e anchovas, cerca de 20% dos pinguins estavam se alimentando nas mesmas regiões que os navios de pesca ativos, de acordo com a análise dos cientistas. Em anos com estoques de peixes mais robustos, esse número caiu para cerca de 4%.

Leia a matéria completa acessando a Folha de S. Paulo

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