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Com plano bilionário, Lisboa aposta em áreas verdes como refúgios climáticos contra calor

26/02/2026

Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo, Marta. Estes foram os nomes das tempestades que, em ordem cronológica e alfabética, assolaram Portugal durante três semanas entre o fim de janeiro e meados de fevereiro. Rios transbordaram, telhados caíram, árvores tombaram —e a água e a ventania levaram de roldão reputações políticas e a confiança dos portugueses em seus sistemas de mitigação de eventos climáticos extremos.
As borrascas, no entanto, não afetaram igualmente todas as cidades portuguesas. Em Coimbra, o rio Mondego transbordou, e cerca de 3.000 pessoas tiveram que ser evacuadas de suas casas, enquanto em Lisboa as enchentes foram pontuais, e os maiores prejuízos foram árvores caídas e prédios destelhados.
O evento extremo serviu de teste para o PDGL (Plano Geral de Drenagem de Lisboa), uma obra orçada em 250 milhões de euros (cerca de R$ 1,5 bilhão) que prevê um sistema de túneis subterrâneos para evitar danos de chuvas torrenciais.
A conclusão do PGDL, concebido em 2016 e executado a partir de 2021, faz parte do Contrato Climático da Cidade de Lisboa, que esteve em consulta pública até o dia 14 de fevereiro e segue agora para aprovação na Câmara Municipal.
O CCC 2030, como vem sendo chamado, deverá consumir 8,2 bilhões de euros (aproximadamente R$ 50 bilhões) até 2030, e prevê uma redução de 80% das emissões de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 2002.
"Estão previstas várias políticas que incluem reabilitação de edifícios e praças e também a criação de áreas verdes que funcionem como refúgios climáticos", diz o arquiteto Miguel Amado, do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa. A faculdade é referência em planejamento urbano e abastece o poder público com dados e projetos na área de sustentabilidade.
O CCC 2030 dá sequência a várias políticas urbanas que vêm sendo adotadas desde a primeira década do século. Em 2020, Lisboa recebeu da Comissão Europeia o prêmio de Capital Verde da Europa, sendo a primeira cidade do sul do continente a conquistar a honraria.
Na ocasião, o cartão de visitas da capital portuguesa era o sistema de "corredores verdes" —espaços arborizados ligando as praças e bosques da cidade.
A ideia surgiu na década de 1980 do século passado e saiu da prancheta de Gonçalo Ribeiro Teles (1922-2020), o decano dos paisagistas portugueses. Criador dos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, os mais famosos de Lisboa, Ribeiro Teles se definia como ecologista, monarquista e esquerdista.
Coube ao advogado e político José Sá Fernandes a concretização do sonho do paisagista —quando, a partir de 2007, se tornou responsável pela área ambiental da Câmara Municipal de Lisboa. Ele é hoje um dos principais críticos à gestão da cidade na área de sustentabilidade.
"O objetivo era que ninguém ficasse sem um espaço de lazer, de passear, de correr, de andar de bicicleta a menos de 300 metros de sua casa", disse Sá Fernandes à Folha. "Idealizamos esse esquema e o concretizamos em parte, o que nos garantiu o prêmio da Comissão Europeia —e depois não se fez mais nada."
Sá Fernandes deixou o governo municipal em 2021, quando Carlos Moedas se elegeu presidente da Câmara —cargo que em Portugal equivale ao de prefeito—, e o Partido Socialista, de centro-esquerda, passou o bastão para o Partido Social Democrata, de centro-direita.
Disponíveis em vários portais públicos, os números de emissões de gases de efeito estufa mostram que Lisboa está numa situação melhor que a média da União Europeia e em linha com cidades de porte semelhante, como Estocolmo, Barcelona e Atenas.
Quando se olha o índice per capita, no entanto, o quadro é bem mais preocupante. Lisboa tem uma pontuação pior que metrópoles como Londres e Madri e se aproxima de Varsóvia, Paris e Berlim, as campeãs europeias de emissões.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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