
19/03/2026
Em pouco mais de três anos, o “Projeto Bounty”, da Universidade do Pacífico do Havaí, conseguiu retirar mais de 84 toneladas de equipamentos de pesca abandonados do Oceano Pacífico Norte, convertendo rotas de pesca comercial em frentes ativas de limpeza oceânica. A iniciativa atua diretamente na chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico Norte, uma das áreas mais remotas e desafiadoras para operações desse tipo. A estratégia do projeto é agir antes que redes, linhas e boias atinjam recifes, litorais ou coloquem em risco espécies ameaçadas. Ao fazer isso, o Bounty se tornou um dos três únicos esforços conhecidos voltados à remoção de detritos nessa região específica do oceano, ampliando a proteção de habitats marinhos sensíveis.
Organizado pelo Centro de Pesquisa de Detritos Marinhos da Universidade (HPU CMDR) e lançado em novembro de 2022, o projeto parte de uma premissa simples e inovadora: envolver diretamente pescadores que já estão no mar como protagonistas da solução. Embora práticas irresponsáveis estejam associadas ao fenômeno das “redes fantasmas”, que continuam capturando vida marinha mesmo após descartadas, o projeto aposta em incentivos para transformar esse cenário. Com apoio de parcerias estabelecidas com a Hawaiʻi Longline Association e o Departamento de Terras e Recursos Naturais do Havaí, pescadores comerciais elegíveis recebem compensação financeira para recolher equipamentos abandonados durante suas atividades rotineiras. Dessa forma, a remoção ocorre ainda no mar, evitando que os resíduos cheguem à costa e causem danos maiores.
“É incrível que estejamos nos aproximando da marca de 200.000 libras de equipamentos removidos do oceano por meio deste projeto”, disse Katie Stevens, gerente de projetos da HPU CMDR, em um comunicado, “e tem sido ótimo ver o entusiasmo e o engajamento dos pescadores comerciais como guardiões do meio ambiente oceânico”. O avanço das operações foi impulsionado por uma verba concedida em 2022 pelo Programa de Detritos Marinhos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), com contrapartida da Ocean Conservancy. O financiamento permitiu expandir as ações de remoção, além de fortalecer a estrutura de recuperação e as parcerias envolvidas.
“Este projeto se destaca por sua abordagem inovadora, em parceria com pescadores comerciais, na busca de uma solução. Compensar aqueles que já estão no mar para remover equipamentos de pesca abandonados maximiza tanto a eficiência quanto o benefício ambiental”, compartilhou Mark Manuel, Coordenador da Região das Ilhas do Pacífico do Programa de Detritos Marinhos da NOAA. Ao todo, 77 pescadores comerciais participaram da iniciativa, realizando mais de 690 apreensões de redes de pesca fantasmas. Todo o material recolhido é levado para terra, onde passa por processos de reutilização, reciclagem, recuperação de energia ou descarte ambientalmente adequado.
Entre os pescadores que não utilizam palangre e participaram da pesquisa, 88% conseguiram remover os equipamentos em até 12 horas após a primeira detecção. Esse tempo de resposta reduz significativamente o risco de os detritos se enroscarem e serem arrastados repetidamente por habitats vulneráveis. O projeto também inclui monitoramento mensal de ambientes recifais sensíveis, como a Baía de Kāneʻohe, permitindo ações rápidas sempre que equipamentos abandonados representam ameaça imediata. Esse acompanhamento contínuo tem sido fundamental para proteger áreas críticas e favorecer a regeneração dos ecossistemas.
“A recompensa financeira criou uma competição amigável e resulta em uma resposta muito rápida para retirar as redes dos recifes, dando aos corais uma chance de sobreviver”, comentou Hank Lynch, um pescador que participou do projeto. “Quando as redes ficam muito grandes, pedimos ajuda a outros pescadores que recebem recompensas e dividimos o prêmio. O pagamento ajuda a diversificar a renda dos pescadores comerciais e a custear a manutenção de nossas embarcações, para que tenhamos condições de continuar este trabalho.”
Fonte: CicloVivo
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