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Casa em SP integra mata nativa ao brutalismo paulista

14/04/2026

Em Cotia (SP), na região da Granja Viana, a residência Casa Bosque foi projetada pelo arquiteto Raphael Wittmann, da Rawi Arquitetura. Com um jacarandá preservado no centro do terreno, o projeto é um exercício de integração entre arquitetura contemporânea e mata nativa.
A casa foi concebida para uma família de três irmãos e o pai, unindo afetividade, conforto e respeito ao terreno original. O projeto, com 350 m², se organiza a partir de um pátio central arborizado, que estrutura toda a circulação e os usos da residência.
No coração da Casa Bosque, um jacarandá preservado define a organização espacial da residência, funcionando como elemento estruturador do pátio central e da implantação arquitetônica.
“O nome Casa Bosque faz referência direta à área de mata preservada nos fundos do lote e, principalmente, à árvore que preservamos no pátio central da casa, que também inspirou a implantação e a materialidade do projeto”, conta o arquiteto Raphael Wittmann.
A proposta reforça o diálogo entre arquitetura e natureza, em que os espaços sociais, íntimos e de serviço se articulam ao redor do vazio central.
“Desenvolvemos uma casa em ‘C’ que foi organizada numa composição minimalista e escultural plenamente integrada com a paisagem e há três elementos que merecem destaques: o volume suspenso no fundo, que flutua sobre a área de lazer e reforça o conceito do olhar para o bosque; o pátio central, com viga e banco em concreto que emoldura o Jacarandá preservado; e uma caixa de concreto na fachada, que garante privacidade e identidade expressiva”, pontua o profissional.
A fachada da Casa Bosque combina referências do brutalismo paulista com uma leitura contemporânea marcada por volumes puros, concreto aparente e paleta terrosa.
Blocos brancos minimalistas contrastam com uma caixa de concreto pigmentado em tom avermelhado, que abriga a garagem e direciona o olhar para a rua.
“Inspirada na linguagem brutalista paulista, reinterpretamos o concreto aparente com pigmentação quente, conferindo um aspecto terroso à composição”, diz.
O acesso à residência evidencia a linguagem do projeto, baseada em materiais naturais, texturas brutas e estrutura aparente.
O piso de tijolos cerâmicos e a laje de concreto exposta reforçam a estética de autenticidade construtiva.
“Não planejamos essa laje aparente, mas durante a finalização dos acabamentos, deixá-la natural fez muito mais sentido para o projeto”, revela o profissional.
Mais adiante, o generoso corredor que liga o hall ao restante da casa é um eixo de luz e ventilação cruzada marcado pelo pé-direito de quase seis metros e por amplas aberturas laterais. O espaço mantém-se constantemente iluminado e ventilado, com uma atmosfera que se transforma ao longo do dia. A escada escultural, feita em cimento queimado e guarda-corpo em aço conecta os dois pavimentos com leveza.
No lavabo da área social, o piso e o forro em tom terracota, assim como a prateleira em concreto pigmentado embaixo da bancada se conectam com o partido arquitetônico da casa. A bancada de concreto revestida com pastilhas cerâmicas foscas ganha a cena ao lado de um espelho flutuante, apoiado em estrutura metálica oculta, e de uma arandela artesanal produzida por um artista local.

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