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Chances de novo El Niño passam de 90% em 2026, dizem meteorologistas

19/05/2026

O El Niño é um fenômeno amplamente estudado e cada vez mais associado a impactos no clima e no meio ambiente em diversas áreas. Para este ano, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), uma das principais referências mundiais no diagnóstico e prognóstico do fenômeno, aponta uma probabilidade de 60% de desenvolvimento do “El Niño”, para o trimestre maio-junho-julho, chances que se elevam a mais de 90% a partir da próxima primavera, em setembro.
Em outras palavras, é praticamente certo que o fenômeno se desenvolverá na segunda metade do ano. Atualmente vários jornais vêm noticiando a previsão de um El Niño de forte intensidade para o período 2026-2027. Mas é possível prever a intensidade do fenômeno com tanta antecedência?
A verdade é que a previsão da intensidade do El Niño para a próxima primavera de 2026, atualmente, é motivo de especulações e, às vezes, de informações sensacionalistas.
Os modelos acoplados de última geração permitem prever a evolução do El Niño com meses de antecedência, estimando as anomalias na temperatura do ar e seus possíveis impactos, o que possibilita a adoção de ações preventivas em áreas estratégicas.
Por outro lado, modelos complexos que simulam o oceano e a atmosfera permitem prever, com antecedência de 1 a 3 meses, os possíveis impactos com precisão. Mas previsões com prazos maiores podem apresentar mais incertezas e levar a prognósticos incorretos.
No século XIX, pescadores do norte do Peru e do Equador observaram, em algumas ocasiões próximas ao Natal, que um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial impactava a pesca, o que foi interpretado como um “sinal” para deixar de trabalhar e celebrar o nascimento do “El Niño” Jesus, dando, assim, nome ao fenômeno.
Mais tarde, na década de 1920, o cientista Gilbert Thomas Walker (1868-1958) identificou que este fenômeno estava associado a diferenças na pressão atmosférica observadas entre regiões do Oceano Pacífico, bem como a mudanças na velocidade dos ventos na região equatorial, que, por sua vez, alteravam as correntes oceânicas que regulam a temperatura do mar. A partir da década de 1980, o fenômeno passou a ser extensamente estudado, após o El Niño intenso de 1982-83.
El Niño é um fenômeno climático-oceânico que ocorre no Oceano Pacífico tropical, quando as águas da região equatorial centro-leste do oceano ficam mais quentes do que o normal. Ele faz parte de um ciclo natural chamado El Niño – Oscilação Sul (ENOS) e pode afetar o clima em todo o mundo.
Neste ciclo ENOS, o oposto do El Niño é a La Niña, que consiste no resfriamento das águas superficiais no centro-leste do Oceano Pacífico tropical. Na América do Sul, o ENSO também causa alterações na precipitação e na temperatura, embora de forma distinta em cada região.
Entre os vários impactos do El Niño, destacam-se o aumento das chuvas no sul do Brasil e ao longo do litoral do Peru e do Equador; secas na Amazônia e no Nordeste brasileiro; maior frequência de ondas do calor no centro do Brasil; menor frequência de furacões no Atlântico Norte; e aumento das temperaturas globais.
Grandes secas na Amazônia ocorreram durante anos de El Niño: 1877-79, 1925, 1972-73, 1983, 1986, 1992-93, 1998, 2010, 2015-16 e 2023-24.
No entanto, secas também ocorreram na ausência do El Niño, como em 1963 e 2005 na região amazônica e em 2012 no Nordeste do Brasil, estas relacionadas à variabilidade da temperatura da superfície do mar (TSM) no Atlântico tropical Norte.
Estudos conduzidos na década de 1990 precisam ser atualizados, considerando o El Niño e a nova realidade das mudanças climáticas. Além disso, o monitoramento contínuo torna-se fundamental para compreender o que está acontecendo no presente e, portanto, o que pode acontecer no futuro.

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