
28/05/2026
Mais de 40 anos após o fim da caça comercial às baleias, novas pesquisas apontam sinais encorajadores de recuperação de duas das maiores espécies do planeta. O aumento recente no número de avistamentos de baleias-azuis e baleias-fin no sudeste do Atlântico tem renovado as esperanças sobre o futuro desses gigantes oceânicos, historicamente devastados pela caça industrial. Os pesquisadores reuniram mais de 60 anos de registros confirmados na Namíbia e na costa oeste da África do Sul, incluindo animais encalhados, e identificaram um crescimento significativo nas ocorrências recentes: 95% dos avistamentos registrados aconteceram desde 2012, embora os números absolutos ainda sejam considerados baixos.
“Nossos resultados fornecem evidências importantes de que esses gigantes do oceano estão se recuperando lentamente do impacto devastador da caça comercial às baleias no século XX, que os levou à beira da extinção”, afirmou a autora principal do estudo, Dra. Bridget James. “Os avistamentos ainda são raros, mas estão se tornando mais frequentes do que nas décadas anteriores e, com proteção contínua, há motivos para acreditar que essa recuperação pode prosseguir.” O estudo, que será publicado no African Journal of Marine Science, analisa especificamente as baleias-azuis e as baleias-fin da Antártida, espécies que estiveram entre as mais visadas durante a era da caça industrial. Entre 1913 e 1978, estima-se que cerca de 350 mil baleias-azuis e 725 mil baleias-fin tenham sido mortas, causando um colapso populacional em escala global.
Atualmente, as baleias-azuis da Antártida seguem classificadas como criticamente ameaçadas de extinção na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. Segundo os cientistas, a população representa cerca de 3% dos níveis anteriores à caça, mas vem crescendo lentamente em uma taxa anual entre 5% e 8%. Já as baleias-fin são consideradas vulneráveis, com populações estimadas em mais de 30% dos níveis históricos e crescimento anual entre 4% e 5%. Apesar dos avanços, os pesquisadores destacam que ambas as espécies continuam difíceis de monitorar, já que percorrem enormes distâncias e passam grande parte da vida em águas remotas da Antártida, o que limita o conhecimento sobre rotas migratórias e possíveis áreas de reprodução.
“Dados históricos sobre a caça às baleias sugerem que o sudeste do Atlântico pode ter sido, em tempos, uma importante área de berçário tanto para baleias-azuis quanto para baleias-fin”, explicou a Dra. James, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul. Para preencher essa lacuna de informações, os pesquisadores analisaram avistamentos e encalhes registrados entre 1964 e março de 2025, com foco no ecossistema de ressurgência de Benguela, região rica em nutrientes localizada ao largo da Namíbia e da costa oeste sul-africana. No período analisado, foram registrados 12 avistamentos de baleias-azuis, um encalhe e cinco registros adicionais publicados. As baleias-fin apareceram com maior frequência, somando 76 avistamentos documentados e seis encalhes. Os dados também mostram diferenças sazonais: as baleias-azuis foram vistas principalmente entre o final da primavera e o outono, enquanto as baleias-fin pareceram estar presentes durante todo o ano.
“À medida que as populações se recuperam lentamente, esperamos ver essas baleias começarem a reocupar partes de sua área de distribuição histórica”, afirmou o Dr. Simon Elwen, coautor do estudo e professor da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul. “O aumento no número de avistamentos e encalhes é consistente com essa recuperação gradual, embora o aumento dos esforços de observação em alto-mar também possa contribuir.” Apesar dos sinais positivos, os pesquisadores alertam que as ameaças às grandes baleias permanecem. Colisões com embarcações, emaranhamento em equipamentos de pesca, poluição e alterações nos ecossistemas oceânicos provocadas pelas mudanças climáticas continuam colocando as espécies em risco. “Mesmo com mais de 50 anos de recuperação desde o fim da caça comercial de baleias, só conseguimos reunir 12 registros de baleias-azuis em nossa costa”, destacou o Dr. Elwen. Ainda assim, os números reforçam a capacidade de resiliência desses animais. Para garantir que a recuperação continue, os cientistas recomendam ampliar o monitoramento acústico passivo, aumentar a presença de observadores treinados em setores comerciais e incorporar dados sobre a distribuição das baleias ao planejamento espacial marinho, como forma de proteger uma recuperação considerada lenta, mas significativa.
Fonte: CicloVivo
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