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Floresta das Árvores Gigantes: como avanço do garimpo ameaça uma das regiões mais preservadas da Amazônia

28/05/2026

Entre o Pará e o Amapá, uma das áreas mais preservadas da Amazônia vive sob ameaça crescente do garimpo ilegal. A região conhecida como floresta das árvores gigantes abriga exemplares que chegam a quase 90 metros de altura — alguns dos maiores do planeta —, mas vê o avanço de máquinas, pistas clandestinas e facções criminosas impulsionado pela alta histórica do ouro no mercado internacional.
O Fantástico acompanhou uma operação do Ibama no Vale do Rio Jari, onde fiscais encontraram acampamentos de garimpeiros, mercúrio ilegal e escavadeiras em uma área de proteção ambiental considerada uma das mais restritivas do país.
Logo no início da fiscalização, um avião ligado ao garimpo decolou de uma pista clandestina e quase atingiu um dos helicópteros do Ibama. Segundo os agentes, a aeronave abastecia uma frente de mineração ilegal instalada dentro da estação ecológica.
Os garimpeiros fugiram para a mata, deixando para trás uma vila improvisada com alimentos, roupas e equipamentos. O acampamento foi destruído pelos fiscais para impedir a retomada das atividades.
A poucos quilômetros dali está uma das maiores riquezas naturais da Amazônia: os angelins-vermelhos gigantes, conhecidos como “catedrais da floresta”. O maior exemplar já mapeado na região mede 88,5 metros de altura — a maior árvore do Brasil.
Especialistas alertam que o garimpo já se aproxima perigosamente dessas áreas preservadas. Segundo análise de imagens de satélite, uma das frentes ilegais está a cerca de 1,5 quilômetro de uma das árvores gigantes.
“Se o ouro mostrar sinais de estar presente nessa direção, é nessa direção que o garimpo vai expandir”, afirmou o especialista em mineração por satélite Cesar Diniz.
A região reúne características únicas que ajudam no crescimento dessas árvores monumentais. O solo argiloso e rico em nutrientes, protegido por formações geológicas contra ventos e raios, cria condições ideais para o desenvolvimento da floresta. Até poeira do deserto do Saara ajuda a fertilizar a área após atravessar milhares de quilômetros pelo Oceano Atlântico.
Além da importância ecológica, as árvores gigantes desempenham papel fundamental no equilíbrio climático. Pesquisadores estimam que existam cerca de 55 milhões de árvores gigantes na Amazônia, cada uma liberando até mil litros de vapor de água por dia para a atmosfera, contribuindo para a formação de chuvas em outras regiões do país.
Mesmo assim, o avanço do garimpo tem deixado um rastro de destruição. Em uma das áreas fiscalizadas, a equipe encontrou uma castanheira de cerca de 50 metros derrubada em meio ao terreno devastado pela mineração ilegal.
Segundo o Ibama, o cenário se agravou nos últimos anos com a entrada do crime organizado no financiamento do garimpo. Autoridades afirmam que facções criminosas passaram a investir na atividade devido ao lucro elevado e à valorização do ouro no mercado internacional.
“O garimpo na Amazônia há muito tempo não é mais artesanal. Para operar nessa escala, é preciso muito dinheiro”, afirmou um dos especialistas ouvidos pela reportagem.
Dados do Boletim do Ouro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apontam que o combate ao comércio ilegal do minério e as operações de fiscalização ajudaram a reduzir a participação do ouro ilegal no mercado brasileiro. Ainda assim, os pesquisadores alertam que o garimpo continua migrando para novas áreas da Amazônia.
A pressão sobre regiões preservadas preocupa ambientalistas e fiscais. Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que proíbe a destruição de equipamentos usados em crimes ambientais — medida vista pelo Ibama como um possível enfraquecimento das ações de combate ao garimpo.
Enquanto isso, na floresta das árvores gigantes, o tempo corre contra a preservação. Um angelim-vermelho pode levar cerca de 300 anos para atingir o tamanho monumental que transformou a região em um dos lugares mais raros da Amazônia.

Fonte: Fantástico / g1

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