
09/06/2026
"Eu vivo do mar". A frase resume a história do marinheiro e empreendedor Ruan Nolasco Cardoso, proprietário de uma empresa de turismo náutico na Grande Vitória. O avô foi pescador, trabalhou no Porto de Vitória e no antigo sistema aquaviário da capital. O pai passou 35 anos embarcado em navios e plataformas de petróleo. Agora, é dele a missão de transformar o oceano em oportunidade de trabalho para uma nova geração.
Foi olhando para a própria história da família que Ruan decidiu criar, em 2017, o Capitão Grilo, um negócio voltado aos passeios marítimos pelo litoral capixaba.
"Meu avô fazia esse trabalho décadas atrás. Eu pensei: será que ainda existe espaço para isso hoje? Foi um resgate da história da minha família. Começamos pequenos e fomos crescendo junto com o turismo náutico no Espírito Santo".
Hoje, além de comandar embarcações, ele oferece roteiros como a Rota dos Botos, passeios pelos manguezais e circuitos turísticos pela Baía de Vitória e pelo litoral sul do estado.
Mas o empreendedorismo veio acompanhado da necessidade de estudar. "Passei a fazer cursos de guia de turismo, monitor de áreas naturais, condutor local e continuo buscando capacitações. O turismo exige conhecimento. A gente tenta despertar nas pessoas um sentimento de pertencimento sobre o nosso mar, nossos manguezais e nossa biodiversidade".
A trajetória de Ruan traduz, na prática, um conceito que ganha força: a economia azul. Modelo de desenvolvimento que alia conservação ambiental, inovação e geração de renda por meio do uso sustentável dos recursos marinhos.
E poucos exemplos representam melhor essa transformação do que a temporadas das baleias-jubarte.
Todos os anos, entre junho e outubro, milhares delas deixam a Antártida para se reproduzir no litoral brasileiro.
No Espírito Santo, além de encantar turistas, elas movimentam uma cadeia produtiva que envolve artesãos, marinheiros, guias de turismo, hotéis, restaurantes, agências de receptivo e pesquisadores.
Quando as baleias-jubarte chegam ao litoral capixaba, quem também comemora são pequenos empreendedores espalhados por toda a costa.
Enquanto turistas embarcam em busca do encontro com as gigantes do mar, hotéis recebem hóspedes, restaurantes ampliam o movimento, artesãos vendem lembranças inspiradas nas baleias e guias turísticos trabalham em ritmo intenso.
O espetáculo da natureza ajuda a movimentar uma cadeia econômica que cresce ano após ano e mostra, na prática, como a conservação ambiental pode gerar renda.
Em 2025, o Festival da Baleia em Vitória, evento cultural dedicado à espécie, gerou cerca de R$ 250 mil em receita para artesãos e comerciantes locais.
Em Vila Velha, a designer e artesã Erani de Oliveira Castro, criadora do Estúdio Ira, sente os efeitos da temporada todos os anos. Inspirada na fauna marinha capixaba, ela produz cangas, lenços e outros produtos que retratam espécies encontradas no litoral do estado.
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