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Uma nova ideia para salvar o clima? Construir uma barragem no estreito de Bering

11/06/2026

Clarear nuvens. Recongelar o Ártico. Colocar um guarda-sol gigante flutuando no espaço. Ao rol de ideias mirabolantes para combater as mudanças climáticas, dois cientistas holandeses acrescentaram mais uma: construir uma barragem de 80 quilômetros de extensão atravessando o estreito de Bering, a via aquática rasa que separa a Rússia do Alasca.
Em um estudo publicado na sexta-feira na revista Science Advances, os pesquisadores mostram que, sob certas condições, tal barragem poderia evitar o colapso de uma rede de correntes oceânicas, conhecida como AMOC, que desempenha um papel central na regulação do clima da Terra.
A AMOC enfraqueceu nas últimas décadas, e um crescente conjunto de evidências sugere que o aquecimento causado pelo ser humano poderia um dia fazer com que ela parasse ou desacelerasse significativamente, com graves efeitos sobre o clima em múltiplos continentes.
O novo estudo é uma "prova de conceito", não um plano de ação, disse um de seus autores, Jelle Soons, doutorando na Universidade de Utrecht, na Holanda. Mais pesquisas são necessárias para confirmar que tal barragem funcionaria como previsto e para avaliar sua viabilidade e efeitos colaterais ambientais, disse Soons.
Ainda assim, ele afirmou, a humanidade poderia um dia ser forçada a tomar medidas drásticas para evitar os piores efeitos do aquecimento global. Embora reduzir as emissões de carbono ainda seja a melhor maneira de prevenir um colapso da AMOC, suas descobertas mostram que "em um cenário de pior caso", uma barragem no estreito de Bering poderia ser uma opção, disse Soons.
A AMOC, ou Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico, é parte de um gigantesco circuito de água que serpenteia pelos oceanos do mundo. Ela transporta água quente e salgada do Atlântico tropical passando pela costa leste dos Estados Unidos em direção à Europa. Lá, a água libera seu calor no ar e ajuda a moderar o clima na Grã-Bretanha e nos países nórdicos. Nesse processo, a água esfria, afunda e retorna para o sul, onde passa a influenciar os padrões de chuva na África, na América do Sul e além.
Agora, porém, o aquecimento causado pelos gases de efeito estufa na atmosfera está perturbando essa vasta esteira transportadora oceânica. À medida que as temperaturas sobem, o Ártico se torna mais chuvoso e a camada de gelo da Groenlândia derrete, mais água doce está sendo despejada no Atlântico Norte, tornando sua superfície menos salgada. Isso impede que a água da AMOC afunde na extremidade norte do circuito, o que por sua vez faz com que ela atraia menos água quente dos trópicos para o norte.
Se a esteira parasse de girar completamente, o norte da Europa ficaria mais frio, privado do calor que a AMOC traz. Com menos água se movendo para o norte através do Atlântico, mais dela se acumularia em direção à costa leste dos EUA, elevando o nível do mar ali. Os padrões de chuvas tropicais seriam reorganizados, ressecando algumas áreas enquanto encharcaria outras.
À primeira vista, o papel do estreito de Bering em tudo isso não é óbvio. Na verdade, o estreito é uma passagem para grandes quantidades de água doce fluírem do Oceano Pacífico para o Oceano Ártico e, de lá, para o Atlântico. Represá-lo mudaria o equilíbrio de água doce e salgada entre os três oceanos.
Usando um modelo computacional do clima da Terra, Soons e seu colega Henk A. Dijkstra descobriram que isso poderia afetar a AMOC de maneiras significativas.
Se a AMOC estiver forte, então fechar o estreito faria com que menos água doce fluísse do Oceano Ártico para o Atlântico, descobriram eles. Isso ajudaria a manter o Atlântico Norte salgado e a AMOC estável. Mas se a AMOC já estiver próxima do colapso, então fechar o estreito teria o efeito oposto, desestabilizando ainda mais a AMOC. O momento certo, em outras palavras, é fundamental.

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