
21/07/2026
Ao longo da costa da África Ocidental, um pescador a bordo de um atuneiro chinês corta as barbatanas de um tubarão vivo antes de atirá-lo de volta ao mar, onde o espécime provavelmente acabará morrendo.
Valiosas, as barbatanas têm como destino o porto de Dacar, no Senegal. Dali, devem ser enviadas à Ásia, para serem servidas em sopas.
A prática de cortar as barbatanas e atirar o resto do tubarão, muitas vezes vivo, ao mar, é amplamente proibida em várias áreas regulamentadas em diversos países. Isso está estabelecido em convenções internacionais.
No entanto, nos últimos anos, dezenas de barcos atuneiros chineses e taiwaneses têm desembarcado barbatanas de tubarão ilegalmente em Dacar. Ali funciona um dos portos de pesca mais movimentados da África.
O quadro consta de um relatório publicado na última quinta-feira (16) pela ONG Environmental Justice Foundation (EJF), com sede em Londres.
O corte das barbatanas contribui para o declínio das populações de tubarões. Além disso, o ato é frequentemente acompanhado de outras formas de pesca ilegal.
O estudo da EJF concentrou-se em embarcações chinesas e taiwanesas de pesca de atum com palangre autorizadas a operar em alto-mar no Atlântico, duas das maiores frotas desse tipo.
Os pesquisadores entrevistaram 124 pescadores indonésios e filipinos que trabalharam nessas embarcações entre 2020 e 2025.
Das 130 embarcações das duas frotas autorizadas pelos órgãos reguladores da pesca de atum, 71 atracaram em Dacar nesse período. De acordo com os depoimentos, 41 embarcações faziam o corte das barbatanas e 24 delas as desembarcaram em Dacar.
O número é provavelmente maior, segundo Callum Nolan, chefe de pesquisa oceanográfica da EJF, uma vez que os dados incluem apenas menções explícitas durante as entrevistas.
O Senegal é membro da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT), que regulamenta a pesca do atum e de espécies semelhantes no Atlântico.
A entidade proíbe a manutenção de certas espécies de tubarão a bordo. Ela também especifica que o peso total das barbatanas não deve exceder 5% do peso total dos tubarões nas embarcações. A regra visa impedir a prática de cortar as barbatanas.
A AFP conversou com Jamaludin, 29, citado no relatório da EJF. Indonésio, ele vive em uma vila na ilha de Java. O pescador trabalhou a bordo de um atuneiro de bandeira chinesa entre 2018 e 2020, que, segundo ele, carregava mais barbatanas do que carcaças inteiras de tubarão.
Segundo ele, a tripulação desmembrava tubarões diariamente no mar. Depois, descarregava as barbatanas discretamente. Se a polícia aparecesse, o processo era suspenso.
Outros pescadores citados no relatório da EJF relataram que as barbatanas eram descarregadas dos barcos à noite.
A preferência pelo período noturno, quando há menos pessoas no porto, foi confirmada à AFP por Cheikh Ndiaye, inspetor da Direção de Proteção e Fiscalização da Pesca do Senegal. "A melhor solução para esses barcos que pescam em águas internacionais é ter o maior número possível de observadores internacionais."
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