
28/07/2026
O avanço dos incêndios na Espanha e França desacelerou nesta segunda-feira (27). No entanto, a previsão de uma nova onda de calor para esta semana preocupa autoridades nos dois países.
Na Espanha, depois de um início de verão (no hemisfério norte) marcado pelo calor intenso e pela seca, vários focos de incêndio, a maioria em Madri e suas imediações, queimaram dezenas de milhares de hectares e obrigaram 75 mil pessoas a abandonarem suas casas ou locais de férias. Algumas poderão retornar nesta segunda, contudo sem saber se as suas residências sucumbiram ou não às chamas.
Na serra ao oeste de Madri, onde muitos moradores da capital costumam escapar do calor do verão, María Ángeles Cañete contemplava, tentando conter as lágrimas, seu camping destruído. "Tínhamos este camping, outro e perdemos tudo."
O fogo começou na província de Ávila, mas se estendeu pela região de Madri. Este é o "maior incêndio florestal da história recente" da Espanha, com quase 50 mil hectares afetados, segundo o governo espanhol.
Algumas rodovias, que haviam sido interditadas devido às chamas, foram liberadas. Em uma delas, eram vistos os sinais da destruição: uma dezena de veículos carbonizados em um parque industrial, um pinheiro que ainda queimava em meio a um bosque ou um filhote de veado morto.
"É desolador. Veados mortos, animais desaparecidos", disse à AFP Karim Benali, um voluntário em uma área próxima ao município de Navaluenga. "Ninguém fez nada, deixaram que queimasse."
O delegado do governo em Madri, Francisco Martín Aguirre, anunciou a reabertura, "assim que houver condições de segurança", do camping de Escorial, perto da capital espanhola. No fim de semana, 4.500 pessoas foram retiradas do local.
Perto do reservatório de Burguillo, em uma estrada recentemente reaberta, era possível observar hectares de terra e vegetação calcinadas. As casas aparentemente estavam intactas e o solo, fumegante.
No leste do país, perto de Valência, os bombeiros também combatiam outro importante incêndio, que já afeta mais de 6.000 hectares e forçou a fuga de pelo menos 15 mil pessoas.
Durante a noite deste domingo (26) para segunda-feira, a queda das temperaturas, a diminuição do vento e a maior umidade favoreceram o trabalho dos bombeiros.
Na madrugada desta segunda, o avanço dos incêndios perdeu força. Porém, representantes do governo espanhol em Madri afirmaram que o fogo continua ativo e sem estar estabilizado.
Além disso, a janela de oportunidade é curta. Uma nova onda de calor pode levar as temperaturas a 40ºC no centro e no sul do país e voltar a dificultar os trabalhos de combate às chamas.
"Segunda e terça são dias absolutamente centrais para controlar o fogo", disse o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. "A partir de quarta-feira, as previsões meteorológicas são realmente negativas."
Além dos incêndios próximos a Madri, outro foco afeta o leste do país, em Castellón, para onde o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, viajou nesta segunda-feira.
O governante atribuiu a situação à mudança climática. "Não é uma sucessão de episódios isolados, e sim a expressão mais dolorosa de uma emergência climática. Não é mais uma exceção, é a regra em si."
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