
28/07/2026
A indústria de petróleo e gás sabe há décadas que seus poços estavam liberando muito mais metano do que reconheciam publicamente, de acordo com documentos da indústria identificados por um grupo ambientalista.
Em um dossiê divulgado no último dia 20, a ONG Center for Climate Integrity citou, entre outros exemplos, uma análise de 1979 encomendado pelo braço de pesquisa da Associação Americana de Gás, um grupo do setor. O documento afirmava que os principais campos de gás nos Estados Unidos poderiam estar liberando muito mais gases causadores do aquecimento global do que era oficialmente reportado.
O metano, principal componente do gás natural, é um gás de efeito estufa particularmente potente quando liberado na atmosfera.
"Sempre foi incerto o que a indústria sabia diretamente [sobre suas emissões de metano]", disse Steven Hamburg, cientista-chefe do Environmental Defense Fund, que pesquisa a questão há anos e não participou da elaboração do dossiê do Center for Climate Integrity.
A organização sem fins lucrativos tem pedido que a indústria petrolífera seja responsabilizada financeiramente pelos efeitos da mudança climática, causada pela queima de combustíveis fósseis. O grupo disse que examinou décadas de arquivos da indústria, disponíveis em bibliotecas universitárias e outros arquivos públicos, para chegar às suas conclusões.
Apesar de a indústria dispor deste tipo de informação, o grupo afirmou em seu relatório que a indústria minimizou publicamente as preocupações com o metano. Além disso, enquanto a indústria do gás natural enfrentava a concorrência crescente de fogões e aquecedores elétricos, grupos do setor trabalharam em uma campanha publicitária que destacava o gás como um combustível limpo, de acordo com documentos citados pelo Center for Climate Integrity.
A Associação Americana de Gás, cujo braço de pesquisa encomendou a análise de 1979, foi procurada pela reportagem, mas não respondeu aos pedidos de comentário.
Desde 1990, a produção de gás natural disparou nos Estados Unidos, transformando o país de importador líquido do combustível em um dos principais exportadores. Na década de 2010, o país ultrapassou a Rússia como o maior produtor mundial do combustível fóssil.
O Instituto Americano de Petróleo, o maior grupo comercial dos EUA para a indústria de petróleo e gás, chamou o relatório de "o mais recente de uma campanha coordenada" contra uma indústria que, segundo ele, é vital para a economia americana. Também criticou um esforço recente de governos estaduais e locais para responsabilizar a indústria de combustíveis fósseis por seu papel na aceleração das mudanças climáticas.
"Continuamos acreditando que a política energética pertence ao Congresso, não a uma colcha de retalhos de tribunais", disse Andrea Woods, porta-voz do instituto.
Nos últimos anos, à medida que cresceram as preocupações sobre o papel da indústria de petróleo e gás no aquecimento do planeta, as empresas investiram em tecnologia para detectar e corrigir vazamentos de forma mais incisiva em campos de gás, gasodutos e outras fontes. Também passaram a eliminar a queima rotineira (conhecida pelo termo em inglês, flaring), revertendo uma prática de longa data da indústria projetada para queimar o excesso de gás natural produzido na extração de petróleo e gás.
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