
04/08/2026
Nascimentos e mortes ocorrem diariamente, mas há alguns que são mais difíceis de serem presenciados do que outros. Esse é o caso do parto de grandes mamíferos como as baleias, sobretudo as jubartes, que tiveram esse momento registrado apenas três vezes. Um dos mais recentes a ganharem destaque ocorreu em 28 de julho próximo à costa de Nova Gales do Sul, na Austrália, e é o primeiro a ser feito com um drone.
Quem teve a sorte de presenciar o nascimento foi o operador de drone Alexander Forrest. Em entrevista à IFL Science, ele contou que tinha acabado de trocar as baterias do seu drone quando percebeu um comportamento incomum em uma das fêmeas do grupo de jubartes. Então, “a baleia emergiu [e] momentos depois, uma grande nuvem de sangue apareceu. Fiquei aliviado ao ver um filhote recém-nascido subindo à superfície para respirar pela primeira vez”.
Ele afirmou que espera que as novas imagens possam ajudar profissionais a entender sobre o nascimento desses animais. Além disso, as imagens poderão servir para a elaboração de artigos científicos e para que pesquisadores consigam comparar as diferenças entre os partos de cetáceos.
Forrest tem experiência em fotografar baleias, sobretudo as jubartes. Ele as filma e fotografa quando elas migram ao longo da costa leste da Austrália, entre suas áreas de alimentação na Antártida e seus locais de reprodução em águas mais tropicais.
Como destaca a ORRCA (Organização para o Resgate e Pesquisa de Cetáceos na Austrália), o operador filmou os mamíferos a uma distância superior a 100 metros. Mesmo de longe, Forrest e mais dois membros da tripulação conseguiram registrar as primeiras horas do filhote, com direito aos primeiros mergulhos do recém-nascido e até mesmo as primeiras interações com outras jubartes.
“Trata-se de uma contribuição extraordinária para a nossa compreensão da reprodução e do comportamento materno das baleias jubarte”, afirmou Annie Post, da ORRCA. Além disso, “uma revisão preliminar identificou este nascimento como o primeiro a ser registrado no ar”.
Para além disso, Post quer que as imagens sejam submetida à outras revisões. Segundo ela, quanto mais dados forem coletados a partir das imagens, mais tendências poderão ser identificadas.
E duas dessas tendências – ainda que quase exclusivas das jubartes – já são apontadas por especialistas, com o crescimento da população de baleias e o crescente uso da tecnologia, o que permitiu que as imagens fossem feitas com o drone. Outra mudança para os cientistas, mas não necessariamente uma tendência, foi o local do parto, região que difere do que eles sabiam até então.
“Embora sejam imagens extraordinárias, também representam uma observação científica incrivelmente valiosa. Oportunidades para documentar o nascimento de uma baleia jubarte do início ao fim são muito, muito raras”, disse Forrest.
Assista ao vídeo clicando na Revista Galileu
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