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90% dos rios localizados em áreas urbanas do RJ apresentam algum grau de poluição

18/08/2026

Há 3 décadas e meia, Roque Antônio trabalha como pescador. Todos os dias, pela manhã e à tarde, ele coloca o barco na Baía de Guanabara em busca do sustento. Roque vem sentindo piora na qualidade dos peixes e da água nos últimos anos.
“Senti que piorou muito na parte de Mauá, em Magé, e em [Duque de] Caxias. Agora trabalho mais em Paquetá“, disse Roque, que foi presidente da Associação de Pescadores da Ilha do Governador.
A percepção de Roque não é individual. Outros pescadores ouvidos pela reportagem do DIÁRIO DO RIO têm a mesma impressão. A explicação? A poluição dos rios do estado do Rio de Janeiro, que desembocam nas baías de Guanabara e Sepetiba.
A plataforma oficial de monitoramento por satélite MapBiomas aponta uma redução de aproximadamente 13% dos corpos hídricos naturais da Região Metropolitana do Rio de Janeiro entre 1985 e 2022. Não há dados mais recentes.
Essa redução de corpos hídricos pode estar relacionada a aterramentos ou níveis elevados de sujeira. “Não há um percentual único e consolidado sobre todos os rios da Região Metropolitana. No entanto, é possível estimar que entre 80% e 90% dos rios localizados em áreas urbanas apresentem algum grau de poluição. Em muitos casos, a água possui melhores condições apenas nas nascentes e nos trechos iniciais. À medida que os rios atravessam regiões densamente ocupadas, passam a receber esgoto, lixo e outros resíduos”, explica Renato Espírito Santo, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção Rio de Janeiro (ABES-RJ).
A Prof. Dra. Vera Castilho, do Laboratório de Parasitologia Clínica da Divisão de Laboratórios do Hospital das Clínicas-FMUSP e associada à Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), listou os principais problemas dessa poluição para a população.

• Maior incidência de doenças de veiculação hídrica, como as gastroenterites, hepatite A, leptospirose

• Problemas de pele e infecções nos olhos, ouvidos e mucosas podem aparecer nas pessoas que praticam esportes aquáticos, pescam ou mesmo entram em contato com essas águas.

• Doenças causadas pelo mosquito da dengue, chikungunya e zika aparecem pela proliferação destes mosquitos por acúmulo de lixo e água parada.

• Substâncias tóxicas, incluindo metais pesados e produtos químicos industriais, contaminam e se acumulam em peixes e frutos do mar consumidos pela população. A exposição prolongada pode afetar o sistema nervoso, os rins e aumentar o risco de alguns tipos de câncer.

• A degradação ambiental reduz áreas de lazer, prejudica o turismo, desvaloriza imóveis e compromete o bem-estar da população ocasionando impactos na saúde mental e na qualidade de vida.

• Águas altamente poluídas, pela decomposição da matéria orgânica, em áreas próximas, podem também ocasionar problemas respiratórios, devido aos maus odores e aos gases liberados.

“Assim, ocorre aumento dos gastos públicos com tratamento das doenças e dificuldade no abastecimento de água, exigindo processos mais complexos e outros tipos de tratamento de água“, disse Vera Castilho.

Sobre os pescados afetados por essa poluição e consumidos pela população, Renato Espírito Santo frisa que “rios como o Faria, Jacaré, Joana, Maracanã, Irajá e Pavuna atravessam áreas densamente povoadas e industrializadas. Durante o percurso, recebem esgoto sem tratamento, lixo, sedimentos e resíduos de diferentes origens, que são transportados diretamente para a Baía de Guanabara. Esse material reduz a quantidade de oxigênio disponível na água, altera o equilíbrio dos ecossistemas e prejudica peixes, crustáceos, moluscos e manguezais. Como consequência, há perda de biodiversidade, contaminação do pescado e redução das áreas adequadas à pesca artesanal”.

Termine de ler esta reportagem clicando no Diário do Rio

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