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Burros ajudam a prevenir incêndios na Espanha

01/09/2026

Durante a recente onda de calor que atingiu a Europa, várias regiões da Espanha foram devastadas por incêndios florestais. No ecossistema ibérico do Parque Nacional de Doñana, porém, a paisagem permaneceu calma e exuberante. Nos últimos nove anos, não houve incêndios florestais no parque. O resultado está relacionado a uma equipe muito lenta e gentil de trabalhadores, os burros. Os “burrinhos felizes” de Doñana têm uma tarefa simples: pastar livremente ao longo de uma faixa de contenção de incêndios de 40 a 45 metros de comprimento, transformando em alimento o material combustível formado por arbustos e gramíneas. Em nove meses, membros da equipe, como Leonor, Ainoa e Ume, trabalham sete horas por dia e beberam cerca de 30 litros de água.
Pode parecer algo quase constrangedoramente rudimentar, mas o método funciona melhor do que o uso de ovelhas e cabras. Para Doñana, que serve de refúgio vital para o lince ibérico e aves migratórias da Europa e da África, o impacto ambiental é baixo. O conceito de brigada de incêndio com burros está sendo replicado em outras áreas da Espanha que parecem estar sob risco cada vez maior em suas florestas de pinheiros secos. Os animais trabalharam no campo com os seres humanos por milhares de anos a mais do que os cavalos. Eles percorreram sulcos, campos, colinas e florestas do país europeu durante milênios. O início das grandes revoluções industriais e o despovoamento rural, porém, fizeram com que eles diminuíssem em quantidade.
Isso tornou a paisagem vulnerável ao crescimento explosivo da vegetação rasteira e de arbustos lenhosos, que secam nos verões mais intensos e servem de combustível para qualquer faísca. A National Geographic relata que a Galiza, a Catalunha, Ourense, Navarra e o País Basco recrutaram “brigadas de burros”, seguindo o exemplo da Andaluzia. “Um burro pesa três vezes mais do que uma cabra, então, quando se move, quebra a vegetação com mais eficiência”, disse Joan Cedó, fundador da Tivissa Burros Bombeiros da Catalunha. “Um burro também come cerca de 10 vezes mais do que uma cabra. Isso significa que seu impacto diário é muito maior.” Segundo Cedó, a estratégia também trouxe resultados no município onde atua: “Desde que introduzimos burros em nosso município, não houve mais incêndios florestais”, diz Cedó.

Fonte: CicloVivo

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