
18/08/2015
No bocado de lixo que o gari Francisco Carlos Fernandes varria na última segunda-feira à tarde na Praça Saens Peña, na Tijuca, havia algumas guimbas de cigarro e muitas folhas de árvore. Nem de longe lembrava os montes de papel e plástico que, segundo ele, costumava recolher há algum tempo. Perguntado a que atribuía a mudança, ele sequer vacilou: ao programa Lixo Zero, que completa dois anos no próximo dia 20. Desde o seu primeiro dia até a última quinta-feira, os fiscais do município aplicaram 112.228 multas. Em média, 155,2 pessoas foram flagradas por dia sujando a cidade. É bem verdade que mais da metade (64.342, ou 57% delas) ainda não foi paga.
Muitos dos que andam pelas ruas e, principalmente, quem tem como trabalho mantê-las limpas já perceberam que o cerco surtiu efeito.
- Como melhorou! Para mim, tem até 80% menos lixo para varrer no chão. Hoje, o que exige mais cuidado é fazer a limpeza das lixeiras de rua - diz Francisco Carlos, que aponta a vilã da limpeza na praça: - São as guimbas de cigarro. Quando não jogam no chão, às vezes deixam acesas dentro das lixeiras. Volta e meia, temos que apagar um incêndio.
Do total de multas aplicadas nesses dois anos, 80% foram devido a descarte de pequenos resíduos, como pontas de cigarro, pedaços de papel ou copinhos plásticos. A companhia não tem dados, porém, sobre a quantidade exata de redução da sujeira. Mas um indicativo pode estar na Avenida Rio Branco: se antes os garis precisavam varrê-la seis vezes por dia, depois do Lixo Zero, bastam três varrições.
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