
25/08/2015
Num lixão de Gana, carcaças de computadores espalhadas em meio a todo tipo de dejetos chamam a atenção por etiquetas que identificam sua procedência: delegacias, conselhos públicos e até universidades britânicas. O mesmo acontece em lixões da China, com produtos oriundos de Europa ou EUA. Já na América Central, um navio saído dos EUA passa por países pobres tentando encontrar um terreno que aceite o depósito do que dizem ser fertilizante, mas que na verdade são cinzas de produtos eletrônicos. O material, rico em arsênio, chumbo e outras substâncias tóxicas, é parte jogado numa praia do Haiti e parte atirado no oceano.
Não tão distante, 353 toneladas de resíduos de televisores são trazidos dos EUA em contêineres ao Porto de Navegantes, em Santa Catarina. O objetivo é o mesmo do tráfico ilegal de resíduos eletrônicos para Gana, China, Haiti e outros países de África, Ásia ou América Latina: por um lado, lucrar com a venda; e, por outro, descartar o lixo longe de seu local de origem, evitando os custos com a reciclagem e os danos ambientais.
Só no ano passado, 41,8 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos foram geradas no mundo, mas apenas 6,5 milhões foram tratadas da forma ideal, segundo estudo da Universidade das Nações Unidas (UNU). Enquanto isso, o valor de venda dos componentes desses produtos faz com que o tráfico cresça sem controle, no mesmo ritmo em que aumenta o consumo de celulares, notebooks, televisores e outros equipamentos.
A dificuldade em monitorar o fluxo deste resíduos facilita o negócio. Muitos países, o Brasil inclusive, ainda não têm uma legislação plenamente ativa para controlar o descarte de eletrônicos. A UNU estima que apenas 4/7 da população mundial esteja coberta por leis referentes ao tratamento de lixo eletrônico.
— O crime organizado tem se diversificado e investido em resíduos. É um negócio lucrativo e sem riscos, pela falta de monitoramento. Globalmente, não sabemos para onde o lixo eletrônico está indo — afirma Christian Nellemann, chefe de Unidade de Resposta Rápida do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). — Eu ficaria surpreso se soubesse que o Brasil não está nesta rota ilegal e internacional, tendo em vista o consumo de eletrônicos em larga escala e a presença do crime organizado no país.
No Brasil, a importação de resíduos sólidos perigosos foi proibida definitivamente desde a promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010. Ainda assim, tenta-se burlar a lei. Nos últimos cinco anos, o Ibama interceptou cerca de 500 toneladas de resíduos eletrônicos entrando no país ilegalmente por portos e fronteiras, e as cargas foram devolvidas à origem — como em 2013, quando 353 toneladas de resíduos de televisores foram barrados no Porto de Navegantes.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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