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Rio São Francisco sofre com seca histórica

15/09/2015

É difícil acreditar na precisão do relato de Edmundo de Araújo, mas o Rio São Francisco ensina que a verdade nem sempre é suficiente para explicar o que se passa com seu povo. Aos 62 anos, Edmundo, homem negro, alto e silencioso, é o barqueiro que leva os moradores do distrito de Cachoeira do Manteiga para o município de Ponto Chique, no norte de Minas Gerais. Ele próprio recorda: está na atividade desde 1990, trabalhando de domingo a domingo, das 5h30m até as 23h, e nunca, jamais, faltou a um dia de trabalho. Nem por doença, nem por férias, nem para cuidar de seus três filhos. Mas teme faltar pela seca.
Edmundo é um dos 16 milhões de brasileiros que vivem na bacia do Rio São Francisco — um curso d’água que nasce na Serra da Canastra, atravessa cinco estados e, depois de 2,7 mil quilômetros, encontra-se com o Oceano Atlântico. Como a maior parte dessa gente, sua vida está ligada ao rio. Como todos, sofre pela seca que já dura dois anos e é a mais intensa de um século de medição das águas do São Francisco.
No pequeno barco a motor de Edmundo cabem seis pessoas, sete com o piloto, e há coletes para todos. Ele fica atracado na costa de Cachoeira do Manteiga, à espera de fregueses que pagam R$ 3 pela viagem que não dura muito mais do que cinco minutos. Volta e meia ouvem-se gritos do outro lado do rio, vindos de Ponto Chique: “Edir, Edir, Edir, vem cá”. À noite, são as lanternas e luzes de telefones que chamam a atenção de Edmundo.
— O pessoal também já tem meu número de telefone. Mas, antes, para eu buscar alguém, era só no grito mesmo — diz Edmundo, que trabalhava na roça até herdar a linha do barco de seu sogro. — Ele perdeu as vistas e passou para mim.
O barqueiro não sabe dizer exatamente quantas viagens faz por dia, mas sabe avaliar o que vem acontecendo com o rio. Em seu percurso de uma costa a outra, é possível ver pessoas andando, com a água na cintura, bem no meio do São Francisco, a mais de 200 metros da margem. O assoreamento também fica evidente com a formação de pequenas ilhas, as croas que atrapalham a navegação e se transformam em praias para a criançada no fim de semana. Na situação atual, barcos grandes não cruzam o caminho de Edmundo.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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