
22/09/2015
Pouco depois de a gaiola ser aberta, quatro hesitantes bugios deram seus primeiros passos no Parque Nacional da Tijuca, no coração do Rio de Janeiro, em 3 de setembro.
Não demorou, porém, até que os animais (também chamados de macacos-barbados e guaribas) começassem a se adaptar à nova casa, escalando as árvores e se alimentando de seus frutos.
A espécie estava ausente do local havia mais de cem anos, segundo estimativas de pesquisadores, provavelmente por culpa da caça predatória e do desmatamento.
A chegada dos novos bugios é parte de um projeto maior, de reconstrução da fauna do Parque Nacional da Tijuca, para combater o chamado mal da "floresta vazia": a perda de animais de médio e grande porte por conta da caça tem efeitos muito prejudiciais à sobrevivência da própria floresta.
"A Tijuca está se tornando um laboratório em técnicas de reintrodução da fauna", explica à BBC Brasil Fernando Fernandez, da UFRJ, pesquisador responsável pelo projeto, que teve apoio financeiro da Fundação Grupo Boticário. "Alguns desses animais são importantes dispersores de sementes, ajudando (na reprodução) de árvores ameaçadas."
Fernandez explica que o primeiro animal a ser reintroduzido no parque pelo projeto foi a cutia, em 2010, conhecida justamente por sua capacidade de transportar e enterrar sementes. Agora já há 35 cutias habitando as matas da Tijuca.
"Os bugios também têm um papel importante, porque alguns besouros usam as fezes (dos primatas) para liberar nutrientes no solo", explica Fernandez.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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