
29/09/2015
Um dia após seu discurso histórico no Congresso dos EUA, onde abordou temas sensíveis para os políticos americanos, como a pena de morte e a comunidade imigrante, o Papa Francisco criticou a exploração de recursos naturais para matar a sede de poder e prosperidade material em seu discurso na 70ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta sexta-feira.
Diante de chefes de estado do mundo inteiro, incluindo a presidente Dilma Rousseff, do Brasil, ele afirmou que os problemas ambientais ampliam a pobreza e a desigualdade no planeta. E que cabe às agências financeiras internacionais promover a sustentabilidade na cadeia produtiva, evitando sistemas de "empréstimos opressivos" que geram mais "pobreza, exclusão e dependência".
O Papa elogiou o trabalho da ONU, que completa 70 anos, mas disse que ainda há muito a ser feito. Ele cobrou seriedade dos líderes de governo durante a Conferência do Clima, em dezembro, em Paris. Segundo Francisco, o mundo precisa de acordos fundamentais e eficazes em prol da redução de emissões de gases nocivos à atmosfera.
- O mundo de hoje nos mostra falsos direitos e ao mesmo tempo tantos setores que ainda são vulneráveis, com vítmas. Por exemplo, o meio ambiente e as vastas fileiras dos excluídos. Estes setores são diretamente interligados e ficam cada vez mais frágeis com as relações políticas e econômicas dominantes. É por isso que os direitos devem ser vigorosamente afirmados, trabalhando para proteger o meio ambiente e pôr fim à exclusão - disse o quinto pontífice a visitar a sede das Nações Unidas.
Francisco iniciou seu discurso exaltando da ONU por um mundo mais justo e homenageou todos os funcionários da entidade que morreram em missões de paz. Em seguida, iniciou uma série de críticas ao sistema econômico global:
- As agências financeiras internacionais devem cuidar do desenvolvimento sustentável dos países e devem garantir que eles não sejam submetidos a sistemas de empréstimo opressivos que, longe de promover o progresso, sujeita as pessoas a mecanismos que geram mais pobreza, exclusão e dependência - afirmou.
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