
01/10/2015
Ora azul, ora verde. Por vezes, marrom. Constante ali só a certeza de uma contaminação incompatível com a saúde. O Reservatório do Funil, em Resende, cujas águas integram o sistema do Paraíba do Sul e contribuem para o abastecimento do Rio, estão infestadas por cianobactérias (bactérias tóxicas). Análises da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelaram que o Funil apresenta um índice mínimo de contaminação pelo menos 25 vezes maior do que o máximo determinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para água de abastecimento. As bactérias cianofíceas (nome em alusão ao tom azulado) produzem toxinas que atacam fígado, rins e pulmões. Se a seca se prolongar este ano, a situação se agravará, porque o esgoto se manterá estável, ao passo que o fluxo de água cairá.
Segundo a OMS, a contaminação não deve ultrapassar 20 mil células de cianobactérias por mililitro de água.
— No Funil, a média é de 500 mil células por mililitro. Há meses em que salta para um milhão por mililitro. Essa água pode se tornar impossível de ser tratada. É puro esgoto concentrado e contém bactérias tóxicas para homens e animais. Detesto alarmismo, mas a situação é alarmante — frisa Sandra Azevedo, professora titular e diretora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ, e uma das maiores especialistas do Brasil nesses organismos.
A matéria na integra pode ser lida em O Globo
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