
01/10/2015
Os avanços da medicina ajudam a ampliar a expectativa de vida da população, mas isso não quer dizer que as pessoas desfrutam de saúde nesses anos extras. A afirmação é da Organização Mundial de Saúde (OMS), que, nesta quarta, divulgou um relatório segundo o qual o número de pessoas com mais de 60 anos será duas vezes maior em 2050, o que exigirá uma mudança social radical. O órgão contabiliza cerca de 900 milhões de idosos atualmente, ou cerca de 12,3% da população total. A expectativa é de que em 2050, esta fatia represente 21,5%, mais de um quinto do planeta (2 bilhões).
Por isso, a OMS propõe três grandes mudanças: tornar os lugares em que vivemos em ambientes amigáveis para as pessoas mais velhas, realinhar sistemas de saúde às necessidades dos idosos, e os governos desenvolverem sistemas de cuidados de longo prazo que possam reduzir o uso inadequado dos serviços de saúde agudos, garantindo a dignidade nos últimos anos de vida.
Estes são pontos abordados no Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde, divulgado nesta quarta-feira, por conta do Dia Internacional do Idoso, que é comemorado em 1.º de outubro. Segundo a OMS, a expectativa de vida global é de 66 anos e em 2050 será de 72.
— Hoje, a maioria das pessoas, mesmo em países mais pobres, vivem por mais tempo — diz Margaret Chan, diretora-geral da OMS. — Mas isso não é suficiente. Precisamos assegurar que esses anos extras sejam saudáveis, significativos e dignos. Alcançar esse objetivo não será bom apenas para os mais velhos, será bom para a sociedade como um Vida longa não é necessariamente vida saudável
No Brasil, a expectativa de vida de um bebê nascido hoje é de 75 anos. E para quem tem 60 anos é de 82, em média. Segundo a OMS, no Brasil, os idosos passarão de 24,4 milhões de idosos para quase 70 milhões (2050).
— A OMS está dizendo aos seus 193 países membros: acordem! É preciso pensar no idoso, temos de dar ênfase a eles. Porque o envelhecimento está chegando rápido — comenta Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional para Longevidade, no Brasil, para quem no país, será preciso dar atenção à educação. — Outro investimento no Brasil deve ser na formação educacional dos médicos que hoje estudam como se vivessem no século XX e não no século XXI. Por que tantos especialistas em reprodução, se cada vez mais nascem menos bebês? Precismos de melhores cardiologistas, geriatras e, de uma forma geral, de médicos que foquem nas doenças crônicas.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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