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Alto índice de poluição faz Rio Ninguém ser considerado valão

01/10/2015

O nome, Rio Ninguém. O tamanho, 3,2 quilômetros. A nascente, provavelmente em algum ponto do Morro do Fubá, em Cascadura — a Secretaria municipal de Saneamento e Recursos Hídricos diz que não há registro indicando sua posição exata. A foz, por sua vez, tem localização conhecida e visível: na Rua José Carvalho Salgado, perto da Escola Municipal Mozart Lago, em Oswaldo Cruz.
É nesse deságue no Rio das Pedras que o Ninguém ganhou uma espécie de atestado de óbito — o que, por ironia do destino, o torna um “ninguém” em termos ambientais. A pedido do GLOBO, o laboratório Laqam avaliou a qualidade da água do rio na foz. Talvez tenha sido a primeira análise do tipo feita ali — o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) afirmou, em nota, nunca ter realizado esse monitoramento. Na amostra coletada pelo Laqam no último dia 21, foram encontrados 0,1 mg/L de oxigênio dissolvido na água e mais de 24.196 NMP/100mL de coliformes termotolerantes. Pesquisador do Laboratório de Hidrologia e Estudos do Meio Ambiente da Coppe/UFRJ, Paulo Carneiro afirma que os números indicam que o Ninguém, como muitos corpos hídricos cariocas, pode ser considerado um “rio morto”.
— A entrada de matéria orgânica supera a capacidade de autodepuração do sistema hídrico. Nessas condições, não é possível a manutenção de vida aeróbica, como peixes. Quando o rio se encontra nessas condições, dizemos que está morto — afirma Carneiro. — É preciso ressaltar que esse estágio é ao menos parcialmente reversível, se forem interrompidos ou controlados os lançamentos de esgoto.
A negação não está só no nome ou na qualidade da água do Rio Ninguém: está também no próprio reconhecimento de sua existência. Geová José de Oliveira, de 49 anos, cultiva hortas numa área de servidão da Light em Cascadura, pela qual passa o rio. Ele é categórico quando perguntado sobre o (naquele trecho) córrego:
— Nome? Não tem nome, não. É esgoto! — disse Oliveira, que entra no rio para limpá-lo com botas e capa, evitando cheias.

A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo

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