
08/10/2015
Existem pessoas que estão tão perto e ao mesmo tempo tão longe de nós. No alto de uma montanha em Campo Grande, a caminho do Pico da Pedra Branca, o mais alto do Rio com seus 1.024 metros, vivem agricultores isolados do resto da cidade. Cerca de dez famílias habitam casas de pau a pique, sem energia, onde a luz vem de velas e lampiões, como no século XIX. As notícias do mundo chegam pelo rádio de pilha. Burros fazem escoar toda a produção de banana prata e caqui da região, metade dela orgânica. São os resquícios do sertão carioca, como era chamada a Zona Oeste, antiga área rural, até os anos 1950. Para chegar às casas mais distantes, caminha-se até 4 horas em uma trilha pela mata fechada (depois de duas horas de carro, para quem sai do Centro). Dos sussurros da floresta nascem histórias de "visagens", assombrações da meia-noite que muitos juram existir. Durante seis dias, uma equipe do GLOBO conviveu com os agricultores, compartilhando refeições, acompanhando o trabalho na roça, desbravando o sertão carioca.
Bananeiras dançam quando o vento sopra no alto da montanha, onde ninguém tem pressa, porque o tempo, esse inimigo, lá em cima é companheiro. Ao encontrar árvores no caminho, a rajada de ar vira sussurro triste, sinfonia de troncos, galhos e folhas se debatendo na escuridão. É hora do jantar. Sobre a mesa, um prato de batata doce, uma travessa de alface, uma moringa d’água. Tudo daquela serra: a batata, o alface, a nascente. O fogão a lenha é lareira improvisada em dias frios.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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