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Caos no clima trará mais doenças a metrópoles latinas

15/10/2015

Além de elevar a temperatura, as alterações do clima vão colocar a saúde da população à prova. Na América Latina, ondas de calor podem aumentar a mortalidade de idosos nas próximas décadas. As precipitações multiplicariam a incidência de enfermidades transmitidas por vetores, como malária e leishmaniose, inclusive em metrópoles onde já haviam sido erradicadas. A dengue, um mal comum nos meses mais quentes, teria casos registrados durante o ano inteiro. As localidades sem chuvas, por sua vez, registrariam uma quantidade preocupante de doenças cardiorrespiratórias e asma.
O alerta é da Rede de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Urbanas, um órgão internacional que instalou ontem, na Fiocruz, no Rio, a sua sede latino-americana. Os dados fazem parte de um relatório que será divulgado em dezembro, na Conferência do Clima em Paris.
A Rede mapeou como as mudanças climáticas devem alterar o cenário de cem cidades no mundo. Seu diagnóstico é que a temperatura global pode subir de 1 a 4 graus Celsius. O índice de precipitação pode variar radicalmente, com aumento de até 25% ou redução de aproximadamente 20%, dependendo do centro urbano.
Uma das 14 cidades latino-americanas já analisadas pelos pesquisadores, o Rio pode registrar um aumento de até 3,4 graus Celsius em sua temperatura média nos próximos 65 anos. Em 2080, o nível do mar pode crescer entre 37 e 82 centímetros. A variação de precipitações ainda é enigmática — pode diminuir 4% ou aumentar 6%.
José Marengo, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), admite que o governo federal precisa investir em um programa de monitoramento de estresse térmico.
De acordo com o especialista, acreditava-se que, como o Brasil é um país tropical, as maiores catástrofes seriam ligadas ao excesso de chuvas ou à escassez, mas não a prolongados períodos com temperaturas acima da média.
— É provável que o aumento das temperaturas registrado pelo estudo seja ainda mais agravado em metrópoles como Rio e São Paulo, considerando o crescimento destas cidades e a devastação de biomas como a Mata Atlântica.

Saiba mais em O Globo

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