
20/10/2015
Mais de quatro anos após o desastre de Fukushima, no Japão, a indústria nuclear está voltando à agenda energética de vários países, em especial os da América Latina. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), nações como Uruguai, Chile, Bolívia, Peru e Venezuela estão considerando construir reatores nucleares. Esses países vão se juntar ao Brasil — que conta com duas usinas (Angra 1 e 2) e está construindo Angra 3 — e Argentina, que está desenvolvendo sua quarta unidade nuclear.
Polêmica, a energia nuclear é alvo de protestos no mundo devido ao risco de acidentes. No Japão, em março de 2011, um terremoto seguido de tsunami causou um acidente nuclear na Central Fukushima, o maior desde Chernobyl, na Ucrânia, em 1986. Após o desastre, diversos países suspenderam investimentos em projetos ou mudaram regras em busca de mais segurança. Quatro anos depois, porém, diante da necessidade de garantir o suprimento de energia, muitas nações voltaram a investir na fonte. Neste mês, o Japão reativou um segundo reator nuclear, na usina de Sendai, depois de aprovar a legislação pós-Fukushima.
Projeção inédita da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) mostra que a América Latina, hoje com 4,7 gigawatt (GW) de geração nuclear, pode chegar a 2030 com 13,4 GW, quase o triplo. Um reator de 1 GW pode custar de US$ 2 bilhões a US$ 11 bilhões e levar até dez anos para ficar pronto. No Brasil, o governo pretende construir quatro usinas até 2030 e mudar a forma como elas são construídas: em vez de recursos públicos, as obras seriam tocadas por empresas privadas.
De olho nesse mercado, a disputa já começou. A estatal russa Rosatom abriu escritório no Rio. Seu presidente, Sergey Kirienko, diz que a companhia tem US$ 300 bilhões em pedidos de construção de 30 usinas em 12 países, além da Rússia:
— Nos últimos anos, nosso portfólio cresceu 5,5 vezes. Temos negociações em andamento com mais cinco países.
A americana Westinghouse, que desenvolveu o reator de Angra 1, assinou memorando com a Nuclep, empresa que produz peças nucleares no Brasil, para colaborar na construção de equipamentos.
— Estamos prontos para apoiar a expansão no Brasil. A América Latina é mercado-chave — disse Carlos Leipner, vice-presidente da Westinghouse para a região.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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