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Cientistas temem avanço de ‘super malária’ para a África

22/10/2015

Uma mutação em um dos protozoários causadores da malária está tirando o sono de médicos e cientistas que atuam no combate ao mal que mata mais de meio milhão de pessoas por ano. Trata-se de uma cepa do Plasmodium falciparum, resistente à droga mais poderosa usada no tratamento da enfermidade. A variante foi encontrada há alguns anos no Sudeste Asiático, mas, agora, pesquisadores descobriram que ela é capaz de infectar o Anopheles coluzzii. Esse mosquito é o principal vetor no continente africano, região que concentra 90% das mortes provocadas pela enfermidade. O temor, dizem especialistas, é que a “supermalária” se espalhe para outras partes do mundo, o que poderia comprometer “esforços globais para a eliminação da doença”.
— Todos nós estamos preocupados sobre esses parasitas se espalharem para a África, mas não havia razão para pensar que eles poderiam infectar o maior vetor no continente — disse em entrevista à BBC Rick Fairhurst, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA e líder do estudo publicado esta semana na “Nature Communications”. — Agora nos surpreendemos ao ver o A. coluzzii ser prontamente infectado, nas mesmas proporções que os vetores do Sudeste Asiático.
A variante do protozoário foi registrada pela primeira vez em 2008, no Camboja, e, desde então, foi detectada em outros quatro países, todos no Sudeste Asiático. A cepa é resistente a medicamentos derivados da artemisinina. De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), a droga é adotada como principal tratamento em 79 dos 87 países onde o P. falciparum é endêmico. Sua importância é tanta que foi reconhecida no início do mês com o Prêmio Nobel de Medicina concedido à pesquisadora chinesa Youyou Tu, que descobriu seus efeitos terapêuticos.
— É apenas mais uma peça no quebra-cabeça que se mostra como uma catástrofe mundial — comenta Fairhurst. — Nós temos parasitas que não são resistentes apenas à artemisina. Eles não enfrentam barreiras para infectar diferentes mosquitos e, depois, transmitir as infecções para humanos. Nós acreditamos que esses parasitas serão extremamente difíceis de conter.
Desde o início do século, a OMS vem travando uma batalha contra a doença. Em 2013, foram registrados 198 milhões de casos de malária no mundo, com 584 mil mortes, contra 227 milhões de infecções e 882 mil vítimas fatais em 2000. A estimativa é que, no período, foram evitados 670 milhões de casos e 4,3 milhões de mortes.

A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo

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