
27/10/2015
Construir um mapa das árvores locais com características e cuidados para sua manutenção é vital para recuperar o verde nas cidades. Essa é a tese do projeto Viva Floresta. Para possibilitar um trabalho colaborativo nessa direção, a empresa lançou um aplicativo para celular e site de cadastro das árvores nativas da Mata Atlântica na Grande São Paulo.
Já disponível para celulares com Android e para iPhone, o aplicativo está construindo, de maneira coletiva, um banco de dados aberto sobre as árvores urbanas. O projeto foi apresentado em setembro último durante a TED São Paulo – Futuro Melhor. TEDs são eventos que reúnem pessoas para compartilhar experiências interessantes em séries de palestras breves.
"A missão do Viva Floresta é transformar cada pessoa em um plantador de árvores. Plantar árvores na verdade é muito fácil, a natureza já desenvolveu esse software há milhões de anos. A maior parte das sementes brota. Tudo que você precisa é saber que espécie é aquela, colocar na terra e regar uma vez por dia", diz o jornalista Ricardo Anderáos, idealizador do projeto.
Participar é simples. Com o aplicativo instalado no celular, você faz algumas fotos da árvore que quer inserir, mostrando-a inteira, numa foto panorâmica, e também os seus detalhes, como folhas, frutos e flores. Atualmente, o banco de dados possui os nomes das espécies nativas, o que facilita o preenchimento da ficha da árvore. Essas fichas vão construindo os detalhes do futuro grande mapa.
Desenhado originalmente na Califórnia, com o apoio do Departamento Nacional de Agricultura dos Estados Unidos, e disponibilizado como software livre, o programa é usado em 18 outras cidades, nos EUA, na Inglaterra e no México. Para fazer a versão brasileira, os programadores da Viva Floresta gastaram alguns meses.
Dono de um viveiro de plantas em Ilhabela, Anderáos descobriu que um dos grandes gargalos para os plantadores de árvores é encontrar sementes. "Comecei a coletar em todos os lugares por onde passava, até perceber que em São Paulo estamos cercados de árvores nativas da Mata Atlântica, dando sementes e frutos que vão parar nos bueiros. Daí veio a ideia de um aplicativo que simplificasse tudo: mapear as matrizes para coleta de sementes, reconhecer as árvores coletivamente e poder anotar cuidados com elas, como combate a pragas e risco de queda", conta ele.
Anderáos acredita que a mobilização para a proteção do acervo florestal urbano e para o plantio começa pelo reconhecimento da paisagem já existente. "Tudo começa com o compartilhamento desse saber básico, que é o nome de cada árvore. Só quem conhece pode amar, só quem ama vai cuidar…"
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