
03/11/2015
Para compensar o impacto ambiental da Olimpíada, o governo do Rio de Janeiro planejava plantar 36 milhões de árvores da mata atlântica, mas até agora menos de um quinto da meta foi cumprido.
A meta havia sido anunciada em 2012 por Carlos Minc (PT), à época secretário do Ambiente. O número, inclusive, excedia os 24 milhões de árvores prometidas na época da candidatura do Rio para os jogos –chegando aos 13 mil hectares de floresta.
"Nem eu nem minha equipe participamos da definição [da meta] de 24 milhões, que surgiram sem estudo", afirmou o Minc à Folha. "Uma consultoria internacional concluiu que precisávamos de 18 milhões para abater as emissões, então tomamos medidas que poderiam chegar ao plantio de 36 milhões, para garantir", disse.
A ideia é compensar a emissão de gases-estufa gerados por causa do evento. A estimativa de um estudo da UFRJ publicado pelo comitê olímpico é que o equivalente a 3,6 milhões de toneladas de CO2 de sejam emitidas.
Após a saída de Minc, a SEA-RJ diz não reconhecer a meta de 36 milhões. Em nota, foi dito que ela é responsável por compensar 1,6 milhão de toneladas de gases, sendo que metade já estariam compensados pelos 2,5 mil hectares plantados.
O órgão também não esclarece quais árvores foram plantadas especificamente para compensar as emissões da Olimpíada. Na conta atual, entram florestamentos financiados por empresas privadas para "compensar" obras que não as do evento olímpico.
Ambientalistas criticam a falta de transparência na definição de quem está pagando o quê. "Quando existe uma meta e não se define de onde vão vir os financiamentos, fica difícil mensurar se o projeto foi realmente adicional ao que teria acontecido normalmente", afirma Lucas Pereira, da ONG Iniciativa Verde.
O plantio de árvores é um dos métodos mais eficientes para mitigar o efeito estufa. As árvores plantadas até agora no Rio, por exemplo, têm o potencial de absorver 50 mil toneladas de CO2 por ano enquanto estiverem crescendo.
Em 2013, o site da SEA-RJ incluía o compromisso da Petrobras de compensar as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro com o plantio de 7 milhões de árvores. Após questionamento da Folha, a página foi tirada do ar.
O governo do Rio também tem sido alvo de críticas por não ter despoluído 80% do esgoto despejado na baía de Guanabara, onde acontecerão as provas de vela, remo e maratona aquática, e por ter autorizado a construção de um campo de golfe em área de reserva ambiental.
Leia a matéria completa em O Globo
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