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Satélite da Nasa revela estiagem na Região Sudeste

05/11/2015

O Sudeste perdeu 56 trilhões de litros de água por ano desde o início da seca que atinge a região, em 2012. É como se, a cada 12 meses, sumissem do mapa duas represas de Itaipu ou 43 sistemas Cantareira, o principal reservatório da região metropolitana de São Paulo. A conclusão faz parte de um estudo feito por satélite pelo pesquisador brasileiro Augusto Getirana, da Nasa. O trabalho, já disponível na internet, deve ser publicado em breve no jornal da Sociedade Americana de Meteorologia.
No Nordeste, a situação também é crítica, segundo o estudo. Por ano, foram perdidos 49 trilhões de litros de água. As duas regiões do Brasil enfrentam a pior seca dos últimos 35 anos, de acordo com o pesquisador, mas o fenômeno pode ser ainda mais raro, já que a Nasa só contabiliza esse tipo de dado desde 1980. Com informações sobre desde a década de 1930, a Companhia de Abastecimento de Água de São Paulo (Sabesp) afirma que o estado enfrenta a pior temporada de falta de chuvas dos últimos 83 anos.
No estudo, chamado “Déficit de água extremo no Brasil detectado do espaço”, Getirana afirma que as “razões para as precipitações recentes abaixo da média (na região leste do Brasil) ainda são desconhecidas”. O pesquisador afirma que há especulações no meio acadêmico de que a escassez de chuvas pode ser causada pelo aquecimento global, pelo desmatamento na Amazônia ou outros fenômenos climáticos. Segundo o texto, porém, “futuros estudos para investigar as as causas são recomendados”.
— Minha ideia não era descobrir a causa da seca. Era chegar a um valor que quantificasse o tamanho dessa seca no Brasil. E a conclusão é que a situação é muito grave — disse Getirana — Sei que talvez seja meio tarde para dar um alerta sobre a seca em todo o leste do Brasil, mas acho que essa pesquisa pode ajudar as pessoas a terem uma visão mais geral do problema.
Para chegar ao resultado, Getirana utilizou dados colhidos pelos satélites Grace (sigla em inglês para Recuperação de Gravidade e Experimento Climático), lançados pela Nasa em 2002. Os equipamentos foram projetados para calcular variações gravitacionais da Terra por meio da análise da quantidade de água reservada em certas áreas. Eles são capazes de medir quanta água há disponível na atmosfera, superfície e no subsolo de determinada região. Também podem mostrar, em centímetros, a variação de um mês para outro.

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