
06/11/2018
Um estudo feito por pesquisadores do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociência da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, em Eldorado do Sul (RS), identificou mecanismo de resistência do carrapato bovino à ação de ivermectina, pesticida mais usada no combate às infestações por carrapato. O trabalho foi publicado na Scientific Reports e é resultado de pesquisa que conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
A importância desse estudo está relacionada ao destaque que a carne bovina tem para a economia brasileira. O Brasil é o maior exportador mundial dessa carne, mas poderia contar com vendas ainda mais expressivas não fosse a perda anual causada por parasitas. As perdas com mortalidade, queda de peso, redução na fertilidade e perda de produtividade provocadas por parasitas equivalem a mais do que o dobro de tudo o que é exportado.
O controle do carrapato bovino é feito por meio da aplicação de pesticidas, o que conduz, invariavelmente, a seleção de linhagens resistentes. Hoje, no Brasil, o carrapato bovino apresenta resistência, em maior ou menor grau, a todos os pesticidas comerciais empregados no controle da praga.
De acordo com um dos pesquisadores envolvidos nesse estudo,Guilherme Klafke, é importante entender como a resistência ocorre.
Segundo ele, a resistência aos pesticidas, incluindo os carrapaticidas e inseticidas, nada mais é que uma resposta evolutiva do agente que se quer controlar - carrapatos ou insetos - contra sua eliminação. "O tratamento com o pesticida elimina aqueles indivíduos da população que são suscetíveis, favorecendo a manutenção daqueles que são resistentes. Quanto maior o número de aplicações de determinado produto, mais indivíduos resistentes são selecionados até que finalmente o produto não funciona mais, levando a falhas de controle", explicou.
Guilherme aponta, ainda, que o manejo da resistência aos carrapaticidas depende de um diagnostico da situação, ou seja, é preciso saber quais são os produtos que os carrapatos já desenvolveram resistência, assim evitar o seu uso. No Brasil existem seis classes de carrapaticidas disponíveis comercialmente para o controle do carrapato bovino (Rhipicephalus microplus). São eles: piretróides, organofosforados, amitraz, fipronil, fluazuron e lactonas macrocíclicas (onde está incluída a ivermectina).
O especialista explica que, para diagnosticar a resistência, o produtor conta com exames laboratoriais, conhecidos popularmente como "biocarrapaticidogramas" que são realizados por alguns laboratórios de referência no Brasil como o Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (IPVDF), o Instituto Biológico de São Paulo e a Embrapa (Juiz de Fora, MG e Campo Grande, MS). "Uma vez que se sabe quais são os produtos mais eficazes, se monta a estratégia de controle para minimizar o uso de aplicações de produtos, favorecendo uma seleção mais lenta da resistência", afirmou.
Leia mais sobre a pesquisa no site do CNPq
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