
13/11/2018
Às 8h da manhã, José Cavalcante sai de casa, atravessa o quintal, entra em seu barco e percorre a Lagoa de Jacarepaguá. Volta à terra firme várias vezes, mas não traz peixes. Cada vez que ancora, descarrega lixo de todo tipo. Brinquedos, garrafas, televisores, restos de móveis, bicicletas, pneus. Muitos resíduos, arremessados por moradores do entorno diretamente na água ou vindos com o movimento natural dos rios, ficam presos nas margens. A água, verde, tem mau cheiro, e o assoreamento fica evidente quando a embarcação procura deslizar. O trabalho constante de Cavalcante, que vem tentando reduzir a quantidade de lixo no local desde que mora lá, há cerca de cinco anos — o que lhe valeu o apelido de Zé da Lagoa — não é suficiente para frear a degradação.
— Em dez anos, a situação pode não ter mais jeito — acredita ele. — A natureza vai cobrar o que é dela. Temos que exigir providências dos governantes e ver nossa parcela de culpa. Não quero que issso seja importante só para mim, e sim que todos tomem consciência.
Zé da Lagoa é um dos moradores da região que, voluntariamente, se esforçam para proteger o meio ambiente ao redor. Ele se protege somente com luvas e galochas enquanto recolhe o lixo e paga o combustível do barco com o próprio dinheiro. Suas fontes de renda são os bicos como pedreiro e a venda de latinhas e outros materiais recicláveis recolhidos nas portas de boates e restaurantes da Barra de sexta a domingo.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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