UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Levantamento inédito mostra as árvores gigantes que sobreviveram na Mata Atlântica

29/11/2018

Quando os portugueses chegaram no Brasil, em 1500, deram de cara com uma floresta luxuriante, densa e diversa, com árvores que facilmente passavam dos 40 metros de altura. Era a Mata Atlântica, um dos maiores biomas brasileiros, que então se espalhava por mais de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, ou cerca de 15% do território do país. Hoje reduzida a menos de 13% desta cobertura, distribuída em aproximadamente 245 mil fragmentos, pouco resta de sua exuberância original, praticamente desconhecida da população atual. E foi para preencher esta lacuna que o botânico e paisagista Ricardo Cardim liderou o projeto do livro “Remanescentes da Mata Atlântica: as grandes árvores da floresta original e seus vestígios” (Ed. Olhares), com lançamento previsto para esta terça-feira, dia 27.
Com um levantamento iconográfico inédito, a obra — que tem apoio do Museu da Casa Brasileira (MCB) — traz imagens raras da Mata Atlântica “intocada”, de antes do recrudescimento do desmatamento, entre o fim do século XIX e meados do século XX. São fotos como do chamado “Jequitibá do Brejão”.
Maior árvore documentada do bioma em termos de massa, possivelmente um jequitibá-rosa ( Cariniana legalis ), estima-se que tinha um tronco com 6,20 metros de diâmetro e 19,50 metros de circunferência a 1,30 metro do solo, com sua copa provavelmente alcançando uma altura de mais de 40 metros. Supostamente localizada na região de Campinas, era uma árvore famosa, alvo de diversos fotógrafos na época da virada do século XIX para o XX. Apesar disso, seu destino é desconhecido e não há outros indícios de sua existência além das fotos antigas.
— As pessoas veem os remanescentes da Mata Atlântica nas cidades, como a Floresta da Tijuca, e no interior e imaginam que eles são representativos da floresta intacta, mas muitas vezes não passam de uma sombra da floresta original — conta Cardim. — Apesar de 60% a 70% da população brasileira hoje viver em áreas que eram da Mata Atlântica, não nos é ensinado nas escolas como era esta floresta original, nem temos um museu ou qualquer outro lugar que conte sua história. Então eu tinha esta curiosidade muito grande de saber como era esta floresta, qual era o tamanho de suas árvores, sua distribuição e verificar se os remanescentes atuais são de algum modo parecidos com a Mata Atlântica que nossos antepassados conheceram entre o fim do século XIX e início do século XX.
Assim, as gigantes do livro não estão só no passado. Boa parte da obra é focada na busca de grandes árvores que sobreviveram à destruição da Mata Atlântica — processo que também é documentado por imagens desoladoras que integram um capítulo à parte —, registradas em uma série de expedições realizadas por Cardim com o também botânico Luciano Ramos Zandoná e o fotógrafo Cássio Campos Vasconcellos, nas quais percorreram mais de 12,5 mil quilômetros em visitas a algumas das principais áreas de remanescentes da Mata Atlântica do país.

Leia mais em O Globo

Novidades

Planta carnívora confirma previsão feita por Darwin há 150 anos; entenda

06/08/2026

Uma pequena planta que cresce em fendas de rochas nas montanhas do Himalaia e do Tibete acaba de gan...

Calor extremo transforma o significado do verão na Europa

06/08/2026

Em uma sexta-feira de junho, Christiane Bielenski, 38, levou seu pai e seus filhos pequenos a uma ár...

El Niño forte pode levar mais 49 milhões de pessoas à fome aguda, diz agência da ONU

06/08/2026

Um forte fenômeno climático El Niño poderia levar quase 49 milhões de pessoas a mais à insegurança a...

Julho é o mês mais quente na França em série histórica iniciada em 1900

06/08/2026

O mês de julho de 2026 foi o mais quente e um dos mais secos já registrados na França desde o início...

Europa reduz poluição em até 59% e melhora qualidade do ar

06/08/2026

A qualidade do ar continua melhorando em toda a Europa, com uma redução significativa nas emissões d...