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Brasil chega tímido à Convenção do Clima da ONU, dizem especialistas

04/12/2018

As negociações da 24ª Conferência do Clima (COP24) começam hoje em Katowice (Polônia) e a delegação brasileira chega ao evento sob constrangimento, dizem especialistas em políticas públicas de meio ambiente ouvidos pelo GLOBO. O mais significativo encontro mundial sobre o tema nos últimos três anos, a COP24 terá duração de duas semanas, até o próximo dia 14, e contará com a presença de dezenas de milhares de participantes de 190 países. Seu principal desafio será o de encontrar uma maneira de implementar as diretrizes do Acordo de Paris, assinado em 2015, que tem como um dos objetivos centrais limitar o aquecimento global.
Mas estabelecer um consenso sobre os próximos passos do acordo climático global e a implantação e regras de fundos bilionários prometidos por nações mais ricas às pobres também estarão no centro das atenções do evento.
O Brasil chega ao evento, dizem observadores do tema, em posição delicada. Nos últimos dez dias, o governo brasileiro anunciou o maior aumento no desmatamento da Amazônia da última década; o presidente eleito Jair Bolsonaro cancelou a realização da próxima convenção no Brasil e já deu a entender que pretende retirar o país do Acordo de Paris.
Anunciado como futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo anunciou que combaterá políticas de governo que compactuem com o “alarmismo climático”. É a ele que os delegados brasileiros, funcionários técnicos do Itamaraty que representam os interesses nacionais na conferência, responderão a partir do ano que vem.
— A convenção do clima nasceu no Brasil (na Rio 92). Fomos o único país em desenvolvimento a estabelecer uma meta de redução de emissões de gases estufa. Agora, somos uma interrogação — lamenta Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima. Ele acredita que o “Brasil será assunto na COP”, mas não por um bom motivo.
Mas, para o especialista, o novo governo perceberá que não bastará seguir o exemplo do presidente Donald Trump, que anunciou no ano passado a retirada dos EUA do Acordo de Paris.

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