
04/12/2018
Vinte e um anos depois de centenas de sobrevoos pelo Projeto Olho Verde de monitoração de áreas verdes na Região Metropolitana e no Litoral Sul do Estado do Rio, o biólogo Mário Moscatelli é taxativo.
"Estamos caminhando para um colapso ambiental sem precedentes e, talvez, irreversível. A sensação é de impotência", adverte em tom de desabafo.
Nas comparações fotográficas, a constatação do "avanço galopante" de problemas históricos em rios, lagoas, matas, encostas, mangues e baías.
"As autoridades ainda não conseguiram soluções efetivas para o despejo de esgoto in natura em mananciais que desembocam na Baía de Guanabara; a desenfreada ocupação urbana desordenada; uso irracional do solo e falta de saneamento universalizado", lamenta.
Para o biólogo, as recentes enchentes têm a poluição como estopim.
"Mananciais que deveriam receber águas pluviais estão assoreadas, praticamente mortos", justifica Moscatelli.
O que o mestre em ecologia, especialista em gerenciamento e recuperação de ecossistemas diz é facilmente perceptível nas fotos que ilustram esta reportagem. No site www.biologo.com.br/olhoverde há, ainda, centenas delas.
"Todas impactantes. É a natureza gritando por socorro", compara.
Para levar seu projeto adiante, o biólogo depende de patrocínio, uma vez que um voo pode variar de R$ 3,5 mil a R$ 7 mil (até áreas do interior). As fotos são de extrema importância e mostram o agravamento com ocupações irregulares em beiras de rios e encostas, valões a céu aberto e muito lixo descartado criminosamente no meio ambiente. As obras de recuperação das lagoas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá tiveram o contrato suspenso, fruto da crise financeira do estado.
"Os futuros governantes terão que ter muito apoio para tentarem reverter esse processo histórico de degradação", opina Moscatelli.
A matéria pode ser lida em O Dia
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